Web Summit 2021: highlights do maior evento de tecnologia

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Durante a nossa imersão na Web Summit ­2021, maior conferência de tecnologia da Europa, presenciamos um cenário otimista de retomada econômica. O evento, que ocorreu entre os dias 1 e 4 de novembro, reuniu mais de 40 mil pessoas na capital portuguesa, onde pensadores e especialistas dos quatro cantos do mundo debateram o futuro da sociedade e da tecnologia no pós-pandemia. No artigo a seguir, abordaremos highlights extraídos de algumas palestras sobre o universo das startups. Entre os principais assuntos estão: market fit, fundos de investimento, internacionalização, marketing e Inteligência Artificial (IA).

Encontrar o Market Fit é uma Arte

De acordo com Evgenia Plotnikova, sócia da Dawn Capital, durante muito tempo a inovação e os grandes investimentos estiveram voltados para países de fora do cenário europeu, como por exemplo, os Estados Unidos. “Essa realidade mudou nos últimos anos e agora temos muito capital na Europa. Pela primeira vez, estamos realmente vendo novos fundos de investimento e startups surgindo a todo instante nos mais diversos países”, contextualiza.

O avanço do Venture Capital é algo que está acontecendo proporcionalmente ao surgimento de novas ideias. Mas para a startup ser atrativa, é preciso encontrar o market fit. “A maior medida para mensurar o market fit continua sendo a compra. Tenha em mente que métricas oriundas de NPS e pesquisas centradas no usuário também são essenciais. Se você não começar a escalar de forma significativa está tudo bem: aprenda a tirar proveito dessa situação e invista tempo aprendendo sobre o seu próprio produto”.

Evgenia ressalta que encontrar um investidor que esteja interessado em mentoria é uma grande vantagem competitiva no processo de escalada. Sendo assim, procure pessoas que realmente entendam sobre o seu negócio, principalmente em setores nichados como o de software. “No fim do dia, é uma questão de encontrar a pessoa certa para trabalhar ao seu lado. Pense nessa sociedade como um casamento. Construa um produto ou serviço seguro para você e para os seus consumidores”.

Mentoria

Fonte: https://www.flickr.com/photos/websummit/

Na Web Summit 2021, a investidora alertou que é fácil esquecer que o objetivo é construir uma solução para os problemas dos usuários. Por isso, é importante mantê-los maravilhados com a experiência que o produto ou serviço proporciona. “Se você gasta mais dinheiro para atrair o lead, do que ele irá gastar para utilizar a sua solução, repense o seu modelo de negócio. Talvez o produto seja ótimo, mas a estratégia de venda esteja incorreta”.

Como Conquistar a sua Primeira Arrecadação de Fundos

Depois de encontrar o market fit, muitas startups passam pelo processo de injeção de capital para desenvolver ou escalar a sua ideia. Mas, como conquistar investidores? Segundo Zach Coelius, sócio-gerente da Coelius Capital, o MVP pode ser um grande aliado. “Tudo que ajude a tangibilizar o potencial do negócio é primordial para chamar a atenção dos investidores. Procure por pessoas que entendam sobre o seu setor e lembre-se que essa relação precisa ser saudável. O dinheiro é importante, mas não resolve tudo”, alerta.

Ao longo de sua fala na Web Summit 2021, Coelius destacou que o primeiro passo é criar uma relação de confiança, ou seja, não tente pedir dinheiro a um investidor na primeira abordagem. “Na comunidade de investidores, a confiança deve estar em primeiro lugar. Logo, mantenha o potencial investidor atualizado sobre os pontos de situação do negócio e sobre a forma como ele tem crescido ao longo do tempo. Depois que a relação estiver madura, o investidor não terá dificuldades em dizer sim a sua proposta”.

Para Sarah Kunst, fundadora e diretora administrativa da Cleo Capital, tudo gira em torno de um bom pitch. Por isso, saiba como responder em 25 segundos quem você é e o que está disposto a solucionar. “O grande erro dos empreendedores é que eles gastam muito tempo na introdução da sua ideia. O que eu procuro são informações que resolvam problemas no mundo real. Por isso, não gaste tempo com detalhes irrelevantes. Seja único, simples e claro”, orienta.

Sarah Kunst

Sarah Kunst, Cleo Capital. Fonte: https://www.flickr.com/photos/websummit/

Sarah salienta que ser ativo nas redes sociais é uma excelente estratégia. “Se você quer construir uma relação com investidores, faça isso de forma autêntica. Invista tempo nas redes sociais, principalmente no Twitter, plataforma muito utilizada por investidores. Depois que o diálogo começar a fluir, certifique-se de que você confia nessas pessoas”.

Por que algumas startups devem internacionalizar e outras não?

No mundo das startups, nem tudo é sobre dinheiro. A estratégia e o posicionamento adotado no mercado também são essenciais para a sobrevivência das empresas. Todos os dias surgem novas histórias sobre startups que começaram a crescer rapidamente ao ponto de alcançar mercados internacionais. Mas antes de achar que essa é uma jornada natural para todos, questione-se: o seu produto ou serviço é capaz de solucionar um problema no mercado global?

Essa resposta é essencial para desenvolver um plano de ação. Ser internacional é parte do processo de escalada de muitas startups e empresas consolidadas, mas é preciso estar atento para não deixar o ‘medo de ficar para trás’ sobrepor às decisões estratégicas. Começar um projeto de internacionalização exige tempo, dedicação e muita análise de dados.

De acordo com Roberto Grosman, COO da Descomplica, a empresa brasileira de educação digital não pretende internacionalizar nesse momento, visto que o Brasil é um país gigante, com um bom território a ser explorado. “Primeiro precisamos compreender o que queremos alcançar como organização. A Descomplica impacta a vida de muitas pessoas que não teriam dinheiro para uma boa educação e isso tem um peso muito significativo”, ressalta.

Grosman compartilhou na Web Summit 2021 que a síndrome de FOMO (Fear of missing out) é implacável com as empresas contemporâneas, mas que ainda assim é preciso ter cautela e certeza de que um bom trabalho está sendo desenvolvido, principalmente quando o propósito da empresa é transformar vidas. “Mantemos um olhar atento ao que acontece no mundo, mas dentro das nossas expectativas. Decidimos crescer primeiro no Brasil, por isso, atualmente dedicamos tempo a entender esse mercado nacional, que é repleto de diversidade e desafios. Além disso, não é comum ver uma empresa de educação global. Pensamos sim em internacionalizar, mas antes precisamos entender por que fazer isso”. 

Should I Stay Or Should I Go?

Já para Victor Ribeiro, EVP Product Development da Gympass (plataforma corporativa de atividade física), as oportunidades são muitas e esse é o momento certo para expandir os negócios. Entretanto, existem muitos fatores que devem ser analisados em cada cenário. “É claro que o dinheiro é importante, afinal você quer expandir o seu mercado para obter mais receita. Caso tenha tecnologia para isso e consiga comprovar a sua teoria de internacionalização, vá em frente e coloque o seu plano em ação”.

Durante palestra na Web Summit 2021, Ribeiro ressaltou que o produt-market fit deve ser o grande must-have da tomada de decisão. Logo, se ele não existir, internacionalizar não faz sentido. Caso exista, analise a concorrência nos mínimos detalhes. “Comece por questionamentos como: vale a pena ir para os Estados Unidos ou antes devo investir em um país menor para testar as minhas estratégias? E claro, tenha um bom plano de experimentação desenhado. Saiba que se você não expandir geograficamente, cedo ou tarde, alguém irá confrontá-lo no mercado. Além disso, esteja preparado para sair da zona de conforto e vivenciar diferentes culturas e desafios”, alerta.  

Marketing em 2022

Um bom plano de expansão geográfica precisa contar com boas estratégias de marketing. A Web Summit 2021 também reuniu líderes mundiais e especialistas neste segmento e, para saber mais sobre as tendências que farão parte da rotina do marketing nos próximos anos, acompanhamos uma palestra com grandes nomes desse setor. Jessica Spence, presidente de marcas da Beam Suntory, empresa multinacional que produz bebidas alcoólicas, garante que a qualidade e a constância da produção de conteúdo continuarão em alta.

Além disso, segundo Jessica, o próximo ano trará novamente a oportunidade de marcas diminuírem o seu impacto negativo no meio ambiente e na sociedade. “Em 2022 teremos a chance de investir em sustentabilidade e estratégias digitais mais inclusivas. Muito tem se falado sobre big data, principalmente, em como podemos obter informações relevantes e de alta qualidade, ao mesmo tempo em que respeitamos e lidamos de maneira transparente com dados sensíveis do consumidor. Esse será o core business do marketing do futuro”, ressalta.

Mas nem só de dados vive o novo marketing, a criatividade continua sendo a skill mais valorizada nesse setor, que passará por uma grande transformação com a chegada do metaverso – mundo virtual onde é possível interagir por meio de avatares digitais. “Eu estou muito otimista em relação às mudanças do mercado e do comportamento do consumidor. O metaverso será um ambiente incrivelmente competitivo e repleto de possibilidades. A pergunta que não podemos deixar de responder é: como tornamos esse universo digital em um lugar melhor?”.

Marketing 2022

Jessica Spence, Sir Martin Sorrell, Jane Wakely e Leisha Chi-Santorelli. Fonte: https://www.flickr.com/photos/websummit/

Paz, Amor e Sustentabilidade

Jane Wakely, CMO da Mars, uma das maiores corporações privadas dos Estados Unidos, proprietária de marcas como M&M’s, Snickers e Twix, aposta que o crescimento sustentável das marcas será uma das estratégias importantes no próximo ano. “É tempo de focar no que não irá mudar. É preciso colocar as necessidades dos consumidores e stakeholders em primeiro lugar. Precisamos reinventar os negócios e torná-los mais sustentáveis. Estamos vivendo uma crise climática e só será possível resolvê-la unindo esforços”.

Os especialistas acreditam que veremos mais do Slow Movement nos próximos anos. Esse movimento propõe a desaceleração da vida cotidiana e abre espaço para inciativas mais sustentáveis. “Precisamos de mudanças significativas e impactantes para criar um mundo melhor. Sabemos que o benefício precisa ser mútuo e que as marcas necessitam ser devotas e dedicadas aos seus valores. No meio dessa revolução, não podemos esquecer que a Inteligência Artificial é o novo sexy e que criar experiências mais imersivas para os consumidores será o nosso maior desafio”, reflete Jane.

Para Sir Martin Sorrell, fundador S4 Capital, vivemos em bolhas delimitadas por algoritmos e estamos ficando cada vez mais isolados em nossos universos, também devido à questões políticas como, por exemplo, o Brexit e as últimas eleições dos Estados Unidos. Entretanto, o mercado dá sinais de que no próximo ano veremos investimentos massivos no Facebook, uma das redes socais que mais enfrenta problemas de privacidade de dados e controle de Fake News. Fora dessa bolha, Sorrell ressalta que a Inteligência Artificial no marketing já é uma realidade, por isso precisamos aprender sobre esse universo para não sucumbir ao metaverso. 

Inteligência Artificial: o Futuro dos Negócios

Para compreender melhor esse mundo movido por robôs, assistimos uma palestra sobre Inteligência Artificial no palco central da Web Summit 2021. Daniela Braga, fundadora da Defined.ai, ressaltou que os cientistas querem extrair o que há de melhor na tecnologia e que grandes mudanças já aparecem no horizonte. “A evolução humana e tecnológica leva tempo e é necessário estabelecer limites e guias que auxiliem na relação entre humanos e máquinas. Não há como parar o constante avanço tecnológico. Os robôs não irão roubar os nossos empregos, eles irão fazer o que não estamos mais dispostos a fazer”.

Quando questionada sobre os players do setor, Daniela disse acreditar que os grandes avanços em Inteligência Artificial não virão da Europa, mas sim dos Estados Unidos e da China. Para a cientista, esses países possuem 70% dos recursos relacionados ao setor, além disso também possuem amplo domínio em análise de dados complexos.

Já para Daniel Dines, CEO da UiPath, a IA é global, logo não deve ser tratada como algo exclusivo de uma nação. “Todos nós devemos ter um robô. Não há motivos para temê-los, pelo contrário. Aprecie essa interação e pense em como eles podem fazer tarefas que não queremos mais fazer. Pense no tempo que teremos para colocar soft skills em prática”.

Inteligência Artificial

Fonte: https://www.flickr.com/photos/websummit/

No ecossistema tecnológico, inovador e multicultural da Web Summit 2021 tudo parece possível. Nessa atmosfera são os humanos, as suas ideias e startups que protagonizam os momentos de maior destaque da conferência. E para falar sobre as iniciativas que contribuem para um mundo melhor, abordaremos no próximo artigo dessa série, assuntos como trabalho remoto, tecnologia na pandemia e sociedade.

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