Loading Softdesign

Transformação Digital: a relevância do ágil

Micaela L. Rossetti
por Micaela em 11/10/2019
6 minutos de leitura

No nosso primeiro texto da série sobre transformação digital em empresas, abordamos o histórico do tema e suas principais características. Esclarecemos que a verdadeira transformação não está na aplicação da tecnologia ‘da moda’, mas sim em desenvolver a capacidade de estar continuamente avaliando, testando e capturando o valor das tecnologias que surgem a todo momento.

Mas afinal, como modificar a estrutura, a cultura e os processos de uma organização para que ela se torne permeável as novas tecnologias e caminhe em direção a um futuro digital? Uma opção é promover uma transformação ágil que apoie o processo de transformação digital.

O método ágil

A partir da metade da década de 1995, os profissionais de TI passaram a adotar o método ágil de desenvolvimento de software em detrimento ao método tradicional – visto como muito burocrático e lento para a área de tecnologia. A nova disciplina propunha diferentes processos, práticas e ferramentas para criar produtos digitais, minimizando o risco pela divisão do desenvolvimento em curtos períodos de tempo (iterações), que viabilizariam entregas fatiadas e frequentes.

Os métodos ágeis evoluíram e, atualmente, um dos mais conhecidos é o Scrum. Nele, times multidisciplinares compostos por Product Owners, Scrum Masters, desenvolvedores, designers e testers trabalham em colaboração, contando com a participação constante do cliente. A comunicação entre as partes é frequente e transparente, e as pequenas entregas permitem que o aprendizado de todos seja integrado ao produto.

A transformação ágil

É justamente esse espaço de experimentação e rápido aprendizado viabilizado pelos métodos ágeis que contribui para a transformação ágil, que é em si a jornada de uma empresa ou equipe na adoção da cultura ágil. Ela é mais do que uma mudança de processos ou ferramentas; ela envolve mudanças nos papéis da equipe, na forma de gerenciar e, o principal e mais difícil, mudança nos modelos mentais.

A transformação ágil favorece a criação de produtos inovadores, o rápido retorno e o foco no cliente/usuário. Ela viabiliza que o setor de TI de uma organização deixe de ser suporte para tornar-se um desenvolvedor de soluções que, atento às necessidades do negócio, contribui para a estratégia e para a digitalização dos processos, por meio da criação de novos produtos e serviços digitais.

Evan’s Theory of Agile Constraints

Entretanto, é preciso salientar que não basta implementar a mudança somente na TI. Geralmente, a transformação ágil tem início no método de organização e trabalho desse setor, mas ela pode (e deve) ser, posteriormente, expandida às outras áreas da empresa. Isso porque, como explica a Evan’s Theory of Agile Constraints*, sempre haverá um fator restritivo à agilidade dos negócios.

Para compreender melhor, imaginemos uma organização como um fluxograma. Podemos supor que o primeiro fator restritivo para que ela se torne ágil é a baixa capacidade de entrega da TI. Com a efetiva aplicação do Scrum nesse setor, a próxima restrição aparece quando há uma alta entrega de produtos, mas esses não são efetivamente colocados em produção, visto que a operação ainda trabalha nos moldes antigos. A solução é também tornar a operação ágil, talvez com a aplicação de uma cultura de DevOps. O terceiro gargalo geralmente aparece no ‘upstream’ – a definição dos produtos ou seleção do portfólio – que também precisa ser transformada.

É por isso que a transformação ágil envolve toda a empresa. Essa é a verdadeira definição de agilidade nos negócios: a mudança dos modelos mentais de todos os colaboradores, da cultura de projetos para uma cultura contínua – que proporcione valor contínuo -, e da estrutura da organização.

Como implementar uma transformação ágil

Sabemos que a jornada de adoção da cultura ágil é longa e cheia de desafios. Como comentamos, é preciso agregar novos aprendizados, sensibilizar pessoas, adotar novas técnicas e ferramentas e, ao mesmo tempo, manter a operação funcionando.

Por isso, o nosso serviço de Consultoria em Métodos Ágeis tem como objetivo auxiliar equipes que estão em busca dessa transformação ágil. Afinal, uma mudança tão grande certamente requer uma boa gestão da mudança – objetivos claros, boa comunicação, envolvimento de todos e suporte para lidar com as dificuldades.

Para isso, nossos agile coaches investigam inicialmente o atual cenário da empresa, buscando também entender os objetivos da mesma com a transformação. Com base nesse levantamento, eles montam um plano de ação e apoiam a execução desse com treinamentos e mentorias no dia a dia da equipe e, em alguns casos, efetivamente colocando a ‘mão na massa’ para realizar as ações.

Quer saber mais? Basta preencher o formulário abaixo. E aguarde que, em breve, publicaremos mais textos sobre a tão falada transformação digital.

*#noprojects: A Culture of Continuous Value, de Evan Leybourn e Shane Hastie