South Summit Brasil: Highlights Da 1ª Edição

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Mais de 20 mil pessoas, vindas de 50 países estiveram presentes na South Summit Brasil. A 1ª edição do evento no país reuniu, em Porto Alegre, 2,5 mil startups, 500 palestrantes e 450 investidores, incluindo 20 fundos internacionais, que juntos formam uma carteira de investimento de mais de $65 bilhões – números que representam o tamanho do impacto da iniciativa na economia brasileira.

A South Summit é uma das maiores plataformas de inovação do mundo. Ela foi criada em 2012 na Espanha, com o objetivo de reunir empresas, startups e empreendedores que buscam oportunidades de negócios. E foi exatamente esse cenário que encontramos nos armazéns do Cais Mauá, onde assuntos como Indústria 5.0, Robotização, Análise de Dados e Sustentabilidade estiveram no centro do debate.

Ao longo de três dias, a equipe de Marketing & Vendas da SoftDesign participou da maratona de aprendizados e networking. No artigo a seguir, abordaremos os principais highlights de palestrantes que possuem atuação profissional em grandes empresas como Bradesco, Randon e Gartner.

Meus Dados, Minha Vida

Na palestra Disrupção Através dos Dados, especialistas debateram a importância do uso de dados para acelerar processos e produtos. Segundo Ana Carla Martins Netto, COO da Meta, tomar decisões com base em dados representa uma mudança cultural e não tecnológica. “Na sociedade contemporânea, nós temos o poder de colher e mensurar. Cada celular é mais poderoso do que o que levou o homem à Lua. Por isso, precisamos mudar a forma de trabalhar, democratizando a informação e centralizando o poder de decisão no ser humano”.

Para Vinícius Freaza, Sócio-diretor da Evolucional, os dados são o novo petróleo. “O petróleo só tem valor quando é transformado em gasolina, por exemplo. O dado bruto, assim como o petróleo bruto, não vale nada. Somente quando ele é convertido em informação qualificada passamos a ter algo relevante em mãos. O dado precisa de contexto, análise e agrupamento para construir ações relevantes”.

Quanto mais os seres humanos confiarem na tecnologia, mais facilmente teremos produtos no lugar certo e na hora certa. Essa é a opinião de Henrique Pontes, Diretor Comercial da Teamcore. “É o dado que irá impulsionar a venda, afinal, a Transformação Digital está entre nós e não irá retroceder. Todos usam tecnologia, por isso, precisamos entender a nossa posição dentro dessa transformação. Grandes empresas já viraram essa chave, e percebo que as pequenas também almejam chegar nesse nível. Para isso acontecer, o ser humano precisa assumir o papel de protagonista”.

A personalização baseada em dados é a tendência da vez. “Tudo é feito para o ser humano: quem vende? Quem compra? Somos nós que geramos os dados. Muitas empresas continuam tomando decisões de forma empírica, sem o apoio de dados qualificados. Essa barreira precisa ser vencida”, alerta Ana.

Público na South Summit Brasil.

1ª edição da South Summit Brasil. Fonte: Agência Preview.

Data Science é Para Todos

Maurício Moura, CEO da IDEIA Big Data, e Tiago Filomena, Sócio da Finor Data Science, também abordaram o tema na palestra O Impacto dos Dados Através dos Setores. Eles fortaleceram a ideia de que o uso de dados é para todos os negócios, independentemente do tamanho ou da área de mercado. “É claro que as empresas novas já nascem digitais e, pela própria estrutura, têm uma cultura de dados intrínseca. Mas para evoluir do Business Intelligence para o Data Science no Brasil, é preciso que os mais diversos negócios entendam a importância de ser data-driven. Na área financeira, por exemplo, estamos no início da escalada do Open Banking, enquanto nos Estados Unidos essa abordagem já é uma realidade. Isso acontece porque falta estruturação e Análise de Dados”, explica Tiago.

Maurício lembra que há muitas empresas no Brasil que dizem fazer Data Science, mas que na verdade ainda estão no estágio inicial de Análise de Dados. “Ainda há tomadas de decisão baseadas em hierarquias e é preciso mudar essa mentalidade. Até porque todos os negócios, hoje em dia, estão sendo pressionados por questões como segurança da informação e privacidade de dados. Para tomar ações nesse sentido, precisamos de Data Science”.

Os dois palestrantes acreditam que a figura da Pessoa Cientista de Dados é extremamente importante – e infelizmente escassa. “São profissionais que conseguem aplicar habilidades técnicas para resolver problemas complexos e muitas vezes possuem especialidades que definem sua área de atuação como Machine Learning ou Engenharia de Software”, ressalta Maurício.

Better Have My Money

No palco The Next Big Thing, mulheres líderes se reuniram para refletir sobre os Mercados Financeiros: Perspectiva Presente e Futura. Com o crescimento da tecnologia e dos ambientes colaborativos, as parcerias entre Fintechs e Instituições Financeiras tornaram-se uma importante estratégia para fortalecer e expandir negócios. E para acompanhar esse ritmo de mudanças e transformações constantes, investir em Inovação Aberta passou a ser essencial.

Renata Petrovic, Superintendente de Inovação do Bradesco, ressalta que fazer inovação dentro de casa custa caro, por isso, lançar programas e fomentar a colaboração é a maneira mais ágil de aproximar empreendedores e construir soluções. “A Indústria Financeira passou por mudanças significativas. Estamos democratizando a tecnologia ao conceder acesso aos serviços financeiros e aos canais de comunicação com os bancos, por meio de internet banking, chats e assistentes virtuais. Isso é uma resposta à mudança de comportamento do consumidor, que está cada vez mais exigente, digital e conectado”.

Para Renata, o movimento Lean Startup despertou interesse no Método Ágil, que cria coisas imperfeitas, testa e aperfeiçoa. “Inovação é cultura e, uma coisa não existe sem a outra. Eu não acredito em uma área ou grupo de pessoas responsáveis pela inovação. Acredito em pessoas, que precisam ser valorizadas para compreender o seu papel dentro desse cenário. Na Indústria Financeira, a Inovação Aberta é uma estratégia de transformação e expansão de clientes e produtos”, ressalta.

De acordo com Bruna Travi, Gerente Executiva do Banrisul, mesmo em um cenário de pandemia, houve um salto muito grande no Ecossistema de Inovação de Porto Alegre. “Falamos muito do que acontece no mercado financeiro e precisamos falar também da importância das pessoas nesse processo. A inovação é uma mudança de cultura e, essa precisa ser orgânica”.

Mercado Financeiro

Palestrantes no Palco The Next Big Thing. Fonte: Agência Preview.

#WomanInTech

O tema também ganhou destaque no painel Mulheres Acelerando a Inovação Aberta, que reuniu as empreendedoras Dani Junco, CEO da B2Mamy Aceleradora, e Fabiele Nunes, CEO e Co-Founder da Startup Mundi; além de Amanda Graciano, Sócia e Head de Corporate Relation da Fisher Venture Builder.

Assim como Bruna, Fabiele vê a cultura como maior empecilho para a inovação. “As pessoas estão acostumadas com estabilidade, gostam dela, e por isso possuem dificuldade de se adaptar a inovação constante. É nesse momento que a colaboração entre startups e grandes empresas se torna relevante: as menores são mais ágeis e permeáveis e podem auxiliar na transformação das maiores”, ressalta.

Para Dani, isso que é Inovação Aberta. “Colocar uma startup dentro de uma grande empresa para que ela chegue mais rápido e mostre o caminho que deve ser percorrido, e todos os seus benefícios. A troca acontece porque a grande empresa fornece segurança para que a startup não morra. É uma simbiose que faz com que as empresas consigam inovar”.

O foco da Fisher Venture Builder é justamente construir startups junto a grandes corporações, criando formas de geração de valor. “Nossos clientes investem em novas empresas porque entendem que suas estruturas organizacionais têm dificuldades em um mercado que muda tão rápido. Nesse sentido, nosso trabalho está focado em observar as ondas do mercado para ter insights e tornar as empresas mais competitivas por meio da Inovação Aberta”.

Tempos Modernos

O futuro industrial também entrou na pauta da South Summit Brasil, por meio da palestra Indústria 5.0: foco no ser humano e no planeta. De acordo com César Augusto Ferreira, Diretor de Inovação da Randon, nos últimos dez anos começou a notar-se uma transformação muito acelerada na Indústria Automotiva. “Essa é uma das indústrias mais impactadas no mundo, pois na Era do Compartilhamento, empresas como a Uber acabam promovendo disrupções no mercado e no comportamento das pessoas”.

Analisar cenários, identificar dores e resolvê-las faz parte do universo do empreendedorismo. E foi por meio da Análise de Dados que a Randon percebeu que uma mudança disruptiva precisava acontecer. “Antes de mudar, começamos a transformar a mentalidade da nossa organização. Trouxemos tecnologias que impactam o negócio no futuro, porém com aplicabilidade no presente. Além disso, olhamos para os processos e entendemos o quanto captar dados, robotizar e automatizar era essencial para fortalecer o nosso posicionamento no mercado”.

Esse processo de modernização da Randon foi inspirado na Smart Factory: que se apoia nos dados e na tecnologia para criar inovação e obter vantagem competitiva. “Qualquer Gerente Executivo trabalha com foco em resultado e isso nunca vai deixar de existir. Um dos desafios contemporâneos é convencer essa estrutura que investir nas pessoas e no planeta são apostas importantes, mesmo que os resultados não sejam imediatos. É esse mindset que irá salvar e proteger o futuro de todos”.

Na Indústria 4.0, o foco está na coleta de dados, análise e robotização, com o objetivo de tirar o máximo de eficiência dos processos. Entretanto, as pessoas e o impacto na sociedade muitas vezes acabam sendo desconsiderados. O que a Indústria 5.0 propõe não é uma grande revolução, mas sim um complemento que reforça a importância de colocar o ser humano no centro da modernização industrial.

O Agro é Tech

A revolução no Agronegócio também integrou a lista de assuntos mais debatidos na 1ª edição da South Summit Brasil. Na palestra O Futuro do Agribusiness, a ideia de que o campo e a tecnologia não fazem parte do mesmo universo foi desmistificada. “O Agro está em todos os contextos. Quando falamos em inovação achamos que o agronegócio está muito longe dessa realidade, mas o setor já usa tecnologia na tomada de decisão há muito tempo. Inclusive, a única forma de manter a demanda de consumo de alimento é por meio de dados. Várias empresas aqui presentes trabalham para levar tecnologia ao campo e, com isso, ajudam o agricultor a inovar”, contextualiza Fabiane Kuhn, Co-Founder da Raks Tecnologia Agrícola.

Segundo Fabiane, o produtor está cada vez mais tecnológico. Entretanto, a conectividade nas áreas rurais continua sendo um dos maiores desafios. “Precisamos de conexão de qualidade para que a informação chegue em tempo real. O Brasil ainda não tem um campo totalmente conectado, mesmo que o Agronegócio seja o responsável por movimentar boa parte da geração de empregos e do PIB brasileiro”.

A pandemia de Covid-19 também foi um acelerador para esse setor. “Antes da pandemia atendíamos apenas o Rio Grande do Sul, mas com as mudanças drásticas acabamos adaptando todo o produto e passamos a atender sete estados brasileiros. Essa mudança não foi identificada somente nas empresas, os produtores também passaram por um processo de adaptação. O produtor brasileiro é extremamente resiliente e possui inúmeros desafios de logística, ainda assim somos uma potência para a economia. Imagine o dia em que a tecnologia e a conectividade estiverem 100% acessíveis, iremos potencializar ainda mais”, destaca Fabiane.

O Agro é Pop

Na Sociedade do Consumo, a gestão possui um papel essencial, principalmente na hora de produzir mais com menos, afinal um dos grandes desafios do Agronegócio é fazer um uso melhor do espaço de terra que já está destinado ao plantio de alimentos. Mas, afinal, o futuro do Agro é sustentável? Para Francisco Jardim, Diretor Executivo da SP Ventures, o Agronegócio brasileiro é um dos mais sustentáveis do planeta.

“Se comparar o Agronegócio brasileiro com o europeu, é fácil constatar que somos muito menos subsidiados. Além disso, temos menos infraestrutura, ou seja, o que o nosso produtor faz com as condições que tem está acima do normal. São histórias de empreendedorismo impressionantes e, por isso, o Agro é energia, alimento e vida”, ressalta Jardim.

Para o investidor, o que irá levar o Agronegócio brasileiro para o futuro é a tecnologia, que impacta e transforma o modelo de negócio. “A inovação tecnológica no Agronegócio acontece em todas as pontas. Com as constantes mudanças climáticas e com o aumento da exigência dos consumidores, será cada vez mais difícil produzir alimento no mundo. Por isso, precisamos desenvolver softwares e personalizar a gestão em pequenas fazendas, aproximando cada vez mais o agricultor da tecnologia”.

Guilherme Karam Mattos, Executivo de Contas do Canal Rural, destacou a importância de debater as dificuldades e desafios do Agronegócio em canais de comunicação. “O Agro faz muito pela sustentabilidade e precisamos mostrar e divulgar essas boas práticas. O futuro do setor será baseado em informação, fatos e dados”, concluiu.

Do Brasil Para o Mundo

Durante a Competição de Startups, que ocorreu ao longo do evento, projetos inovadores de 76 países foram apresentados ao público e aos investidores presentes na South Summit Brasil. A startup gaúcha YoursBank, foi a grande vencedora da competição internacional e entre as outras quatro vencedoras, também estavam mais três empresas brasileiras: Pix Force (Startup mais Inovadora), A-Prix (Melhor Time) e Solubio (Startup mais Sustentável).

A 1ª edição da South Summit Brasil, realizada em Porto Alegre, é um divisor de águas para a economia do estado. A plataforma de inovação, além de abrir as portas para o futuro, também impulsionou o investimento de capital em negócios da região Sul. Para o Presidente da South Summit Brasil, José Renato Hopf, “a cidade de Porto Alegre nunca vivenciou algo tão global e transformador”.

Na cerimônia de encerramento do evento, a Fundadora da South Summit, María Benjumea, falou sobre a alegria de estar expandindo a plataforma no Brasil, além disso agradeceu a parceria de todos os stakeholders e ressaltou o belo acolhimento que recebeu na capital dos gaúchos. “Quando encontras algo que te toca, uma verdadeira parceria, és capaz de mover montanhas. Juntos conectamos empresas, ecossistemas e pessoas. A South Summit chegou para ficar”.

Armazéns do Cais Mauá, em Porto Alegre

Foto do Cais Mauá, em Porto Alegre. Fonte: Agência Preview.

A próxima edição da South Summit Brasil está prevista para março de 2023 e a SoftDesign estará lá!  


Segundo artigo desta série: South Summit Brasil: O Poder das Startups

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