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O desenvolvimento de software é uma peça importante na estratégia de diversos negócios. Assim, um dos maiores desafios enfrentados por desenvolvedores é a definição dos requisitos de software: entender o que é essencial, quais funcionalidades devem ser priorizadas e como garantir a satisfação do usuário final.
Mas para quem decide investimento em tecnologia, essa definição carrega um peso que vai além do time de desenvolvimento. Requisito mal escrito é orçamento estourado, prazo perdido e, cada vez mais, código gerado por IA que resolve exatamente o problema errado, com testes passando e usuário insatisfeito.
Ao longo desse conteúdo, abordaremos detalhes sobre esses requisitos, dos conceitos mais básicos até as diferentes etapas envolvidas no processo de desenvolvimento, incluindo o que muda quando agentes de IA participam da construção do software.
Você verá os tipos de requisitos existentes, as estratégias para identificá-los e documentá-los, além de algumas dicas que vão contribuir para o sucesso do seu produto digital.
Requisitos de software são especificações que definem as funcionalidades e restrições de um software. Eles são utilizados para guiar o processo de desenvolvimento, garantindo que o resultado atenda às necessidades levantadas durante a etapa de concepção do produto e aos objetivos do negócio.
Além disso, servem como base para todas as fases seguintes do desenvolvimento, como o protótipo e o design, a implementação e os testes.
Quando bem definidos, os requisitos de um sistema facilitam a comunicação entre os stakeholders e isso, por sua vez, permite uma gestão de expectativas mais eficiente.
A reunião de levantamento de requisitos que parece burocrática no início de um projeto é, na verdade, o ponto mais barato para prevenir retrabalho. Ignorá-la não elimina o custo, apenas adia e multiplica.
Esse cálculo fica ainda mais sensível quando o requisito ignorado é de conformidade. Um sistema que trata dados pessoais sem os controles de segurança previstos desde o requisito não funcional pode expor a empresa a sanções da LGPD de até 2% do faturamento por infração, limitadas a R$ 50 milhões.
Existem dois tipos principais de requisitos: funcionais (RF) e não funcionais (RNF).

A seguir, mostraremos um pouco mais sobre cada um deles.
Os requisitos de software funcionais são a base de qualquer projeto de desenvolvimento de software. São especificações detalhadas das funcionalidades que o sistema deve possuir para resolver o problema para o qual ele foi projetado.
Podemos classificar os requisitos de software funcionais de acordo com seu nível. A diferenciação mais comum é:
A clareza que esses requisitos proporcionam é o que permite uma boa comunicação, um bom planejamento e o desenvolvimento direcionado, e isso resulta em um produto mais adequado ao público e ao contexto.
Por exemplo: um aplicativo de uma instituição financeira, voltado ao cliente, deve ser capaz de realizar transações via PIX, pagar boletos e fazer investimentos. Esses são três requisitos do produto digital que permitem aos usuários a realização de tais funções.
Abaixo, veja alguns exemplos comuns de requisitos funcionais e suas aplicações:
Os requisitos de software não funcionais (RNFs) definem as características, qualidades e restrições que o sistema deve ter. De forma mais objetiva, ele se refere a como o sistema se comportará e exercerá tais funcionalidades, e não exatamente o que ele fará.
E isso é primordial para garantir que o software funcione corretamente, seja eficiente, seguro e fácil de usar.
Não à toa, também são chamados de atributos de qualidade. Isso quer dizer que são uma definição estruturada e categorizada daquilo que é necessário para mostrar que um produto tem qualidade. Assim como os funcionais, eles se subdividem em:
Podemos exemplificar citando a adequação de produtos digitais à LGPD, que é um requisito não funcional muito comum. Outro exemplo é a afirmação de que um software precisa ser multi-plataforma, operando em Android e iOS. Ou, ainda, quando definimos que uma solução precisa utilizar criptografia, pois manipula dados sensíveis.
Em linhas gerais, podemos dizer que os requisitos não funcionais são atributos que melhoram a qualidade do software e a experiência do usuário. Veja exemplos:
Quando o time e os stakeholders precisam alinhar rapidamente o que cada tipo de requisito representa, uma tabela resolve mais rápido do que um parágrafo:
| Critério | Requisito funcional | Requisito não funcional |
|---|---|---|
| Responde a | O que o sistema faz | Como o sistema se comporta |
| Natureza | Ação, função, regra de negócio | Qualidade, restrição, atributo |
| Exemplo | Permitir login com e-mail e senha | Concluir o login em até 2 segundos |
| Falha visível como | O botão ou a função não funciona | O sistema funciona, mas mal: lento, inseguro ou instável |
| Como se valida | Teste funcional | Teste de carga, segurança ou usabilidade |
Repare que os dois tipos são interdependentes. Um requisito funcional sem o não funcional correspondente entrega uma função que existe, mas que não aguenta o uso real: um PIX que processa, mas trava com 500 usuários simultâneos, por exemplo.
Sob uma perspectiva mais prática, para o time que está construindo o produto, os requisitos não funcionais podem ser restrições, padrões a seguir, ou ainda exigir soluções bem específicas.
É natural, por exemplo, que eles precisem ser resolvidos no nível da arquitetura do software e não na programação, porque os RNFs são transversais, ou seja, afetam todas as funcionalidades.
Certa vez, desenvolvemos um produto que possuía um requisito não funcional muito crítico em relação à disponibilidade: a aplicação precisava operar 24×7, durante três meses, pois era uma das aplicações utilizadas na operação de um programa de televisão de reality show.
Esse tipo de requisito exige uma análise arquitetural: é preciso identificar e remover pontos de falha, criar soluções de fall-back (plano b) e de recuperação automática. O requisito afeta até mesmo o hardware e a infraestrutura, que precisam trabalhar com soluções de alta disponibilidade.
A diferença entre um requisito não funcional bem escrito e um mal escrito não está na intenção, está na possibilidade de medir se ele foi cumprido. Compare:
O primeiro formato parece suficiente em uma reunião, mas não dá ao time de desenvolvimento nenhum critério de aceite objetivo. O segundo formato pode virar teste automatizado, virar cláusula contratual e virar critério de aprovação na etapa de verificação.
É esse nível de precisão que separa um documento de requisitos decorativo de um documento que realmente protege o cronograma e o orçamento do projeto.
Existem cinco etapas fundamentais da análise de requisitos de software. São elas:
Veja, a seguir, cada uma em detalhes.
O levantamento de requisitos de software é uma etapa que envolve identificar e documentar as necessidades e expectativas dos stakeholders.
É importante que sejam utilizados métodos eficientes durante a coleta desses requisitos, para, então, garantir a confiabilidade e a adequação às demandas do sistema. Alguns desses métodos são:

A definição dos requisitos é um processo contínuo e colaborativo que envolve diversos stakeholders, incluindo clientes, usuários finais, Team Managers, Desenvolvedores e Analistas de Negócios.
Depende do tipo de processo e ciclo de vida adotado, dois conceitos que também vêm da Engenharia de Software. Mas uma coisa a gente pode afirmar com tranquilidade: hoje, a construção dos requisitos de software é mais colaborativa que antes.
Você já reparou que, apesar de ser um dos conceitos centrais na Engenharia de Software, não é mais tão comum ouvirmos falar de requisitos? Isso acontece porque eles acabaram associados a um modelo de trabalho cascata (Waterfall), burocrático e preditivo.
Em um ciclo de vida mais antigo, era normal que os requisitos fossem definidos todos no início do projeto. Era comum usar termos ‘coletar’ ou ‘elicitar’. Ou seja: a ideia era que um Analista de Sistemas ou de Negócios definiria requisitos dos usuários.
Atualmente, partimos de pressupostos um pouco diferentes. Entendemos que, para produtos inovadores, é impossível descobrir todos os requisitos no início do desenvolvimento.
Por esse motivo, a construção dos requisitos precisa ser colaborativa. A configuração varia muito, mas podemos ter:
Por fim, é importante lembrar que a coleta das necessidades e expectativas dos stakeholders deve ocorrer desde o início da concepção da solução digital e continuar durante todo o ciclo de desenvolvimento. Assim, é possível fazer ajustes conforme necessário.
Documentar requisitos de software de forma clara e precisa é essencial para garantir o sucesso de qualquer produto. Afinal, a documentação detalhada serve como um guia para todas as etapas do desenvolvimento.
Para isso, algumas ferramentas e técnicas são bem úteis. Aqui estão as mais comuns:
A validação de requisitos de software envolve a confirmação de que as especificações documentadas estão corretas, completas e compreendidas por todos os envolvidos.
As técnicas que podem ser usadas para essa validação são:
Fazer um bom gerenciamento de requisitos de software inclui o controle das mudanças, onde qualquer alteração é registrada, avaliada e aprovada antes de ser adotada.
Para facilitar esse processo, três ferramentas dominam o mercado, cada uma com um encaixe diferente:
Nenhuma das três substitui o processo. Elas só falham menos silenciosamente do que uma planilha quando o volume de requisitos cresce.
A verificação e aprovação de requisitos de software envolvem uma revisão final e a aprovação formal pelos stakeholders.
É uma etapa fundamental, já que garante que todos os requisitos estão corretos, completos e alinhados com as expectativas antes de iniciar o desenvolvimento, evitando retrabalhos, desperdícios e garantindo que o produto digital cumpra seus objetivos.
Até aqui, tratamos requisitos como um documento voltado para pessoas: analistas, desenvolvedores, Product Owners. Porém, isso está mudando. Com agentes de codificação autônoma e ferramentas de desenvolvimento assistido por IA em produção, o requisito passou a ser também a instrução estrutural que orienta o que uma IA vai construir.
Um desenvolvedor lê “o sistema deve permitir cancelamento de pedido” e aplica julgamento implícito: verifica se o pedido já foi despachado, se existe prazo legal de arrependimento, se o estorno precisa ser automático. Um agente de IA implementa exatamente o que está escrito, sem esse contexto tácito, a menos que ele esteja explícito no requisito.
O resultado é um padrão de falha novo: o código gerado passa nos testes automatizados, está sintaticamente correto e, ainda assim, resolve o problema errado. Isso não é falha de qualidade de código, é falha de especificação amplificada pela velocidade de geração da IA.
Quanto mais rápido o time gera código, mais rápido um requisito ambíguo vira débito técnico em produção.
Uma resposta que vem ganhando tração é o Spec-Driven Development, abordagem em que a especificação deixa de ser um documento de referência e passa a ser tratada como contrato executável, versionado junto com o código e usado diretamente para orientar a geração assistida por IA.
Ferramentas como o Spec Kit, do GitHub, formalizam esse fluxo.
Na prática, isso eleva o padrão de qualidade que já vale para requisitos escritos por especialistas: precisão, ausência de ambiguidade e critério de aceite testável deixam de ser boas práticas e passam a ser pré-condição técnica para qualquer projeto que use IA generativa na construção do software.
Para quem está avaliando um fornecedor de tecnologia, alguns sinais no processo de vendas já indicam se requisitos vão receber o tratamento correto ou vão virar burocracia de contrato:
Esse tipo de pergunta antecipa boa parte dos problemas que normalmente só aparecem no meio do projeto, quando já são caros de corrigir. Vale a leitura completa do nosso guia sobre empresas de TI.
Um exemplo real ajuda a tornar esse processo menos abstrato. No projeto de otimização do processo de seleção de terceiros com IA da Sicredi, o levantamento de requisitos precisou equilibrar regras de negócio complexas, exigências de compliance do setor financeiro e a introdução de componentes de IA no fluxo de decisão.
O resultado só foi possível porque requisitos funcionais e não funcionais, incluindo os de conformidade, foram tratados como parte da arquitetura da solução desde o início, não como ajuste posterior.
Ao longo deste texto, vimos a importância dos requisitos de software, passando pelos seus diferentes tipos e as etapas essenciais de análise.
Vimos também como definir e documentar os requisitos, fases que ajudam a garantir que o resultado esteja alinhado com as demandas e expectativas dos usuários, além de manter uma comunicação mais transparente entre todos os envolvidos.
Vimos ainda que esse cuidado se torna mais importante, não menos, à medida que agentes de IA passam a participar da construção do software. Requisito preciso continua sendo o ponto mais barato do projeto para prevenir retrabalho.
Entre em contato e vamos conversar sobre seus desafios de TI.
Confira, a seguir, as respostas para as perguntas mais comuns sobre o tema.
Eles se dividem em dois tipos principais: requisitos funcionais e não funcionais. Os requisitos funcionais dizem respeito às funcionalidades específicas que o software deve realizar. Os não funcionais são os atributos de qualidade e restrições do sistema.
As cinco etapas da análise de requisitos são: levantamento, documentação, validação, gerenciamento, verificação e aprovação.
Para fazer uma análise de requisitos de software, converse com os stakeholders para entender o que eles precisam, documente essas necessidades em detalhes, valide-as para garantir que estão corretas, defina prioridades e mantenha essa documentação atualizada.
O nível de precisão exigido aumenta. Um requisito ambíguo que um desenvolvedor interpretaria com bom senso pode ser implementado literalmente por um agente de IA, gerando código que passa em testes mas não resolve o problema real. Por isso, abordagens como o Spec-Driven Development tratam a especificação como contrato executável, não como documento de referência.
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