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O Papel do Designer no Time de Produto Digital

Tempo de leitura: 13 minutos

No terceiro artigo da série sobre o time de produto digital, iremos abordar o papel do Designer. Nosso objetivo é explicar por que é importante ter uma pessoa focada em design, e qual é o impacto desse trabalho no resultado do time. Para isso, reunimos as principais dúvidas que recebemos sobre o assunto e formulamos respostas com os nossos especialistas.

O primeiro artigo desta série explorou os perfis, papéis e conhecimentos necessários a um time de produto. Já o segundo, mergulhou no universo do Product Owner (PO) para compreender a sua atuação na jornada de desenvolvimento. Para finalizar a série, iremos abordar no próximo artigo o papel das pessoas Desenvolvedoras e Testers.

Por que precisamos de Designers?

Há uma década, era raro ver designers trabalhando com os times de Tecnologia na construção de softwares. Então, o que será que aconteceu de lá para cá, que fez com que o papel do Designer se tornasse tão fundamental?

A verdade é que a realidade no universo de TI mudou muito na última década. Algumas dessas mudanças são:

  • Popularização das tecnologias;
  • Aumento exponencial da oferta de produtos digitais no mercado, e da concorrência entre eles;
  • Facilidade para o usuário trocar de um produto para outro, e redução da fidelidade a marcas;
  • Crescimento das redes sociais e comunidades de influência, que levam as pessoas a adotar e “cancelar” produtos rapidamente.

Essas mudanças tornaram os usuários mais exigentes: hoje eles esperam uma experiência melhor. As pessoas querem respostas rápidas, facilidade no acesso às informações, processos descomplicados, consistência entre os vários canais de uma marca, e uma proposta de valor clara e inspiracional.

No passado, em um mercado com poucas soluções, o Design focado em UX (User Experience) surgiu como um diferencial, no qual marcas muito inovadoras se apoiaram para buscar crescimento. Hoje, em um mercado repleto de produtos e clientes exigentes, ele tornou-se essencial para o sucesso do produto.

Design é para deixar os produtos mais bonitos?

Na verdade, Design é muito mais do que isso. Desde que a disciplina começou a se desenvolver no chamado Design Moderno, a partir do período da escola Bauhaus, existe a definição de que o design deve se preocupar com duas questões indissociáveis: forma e função.

Dentro do conceito de forma, há sim o componente estético, onde a beleza faz parte das preocupações. Porém, o design também tem preocupação com a função:

  • Como o produto vai ser usado?
  • Para que ele serve?
  • Ele atende uma real necessidade?
  • Ele é conveniente de usar?
  • Ele traz satisfação ao usar?

Ou seja, Design não é sobre embelezar um produto, mas sobre planejá-lo para que ele seja agradável tanto esteticamente quanto funcionalmente. Para Mira Hennemann, UX/UI Designer na SoftDesign, “o design é compreendido como uma ferramenta projetual que potencializa o desenvolvimento individual e social, a partir da identificação e solução de problemas. Do mesmo modo que emancipa os usuários, a partir da utilização desses produtos digitais no dia a dia”.

UI Designer ou UX Designer: o que eu preciso?

Essa é uma dúvida muito importante, que nos leva a esclarecer as diferentes áreas do Design. A disciplina muito ampla, e inclui desde o design de produtos industriais até a criação de posts para o Instagram, por exemplo. Por isso, é comum não saber o que precisamos exatamente.

Dentro de um produto digital, as subáreas do Design que mais importam são:

  • UI Design – é a parte que se preocupa em criar a interface. Nos softwares mais comuns, as interfaces são as telas, mas hoje em dia existem outros tipos, como as interfaces por voz. Dentro dessa área temos:
    • Cores, Tipografia e Composição – tudo na interface precisa ser pensado de forma a passar a mensagem que queremos, pois os elementos têm significado e impacto! Um exemplo bem conhecido é o aumento de cliques em um botão de compra de e-commerce, dependendo da cor desse botão.
    • Arquitetura da Informação – como organizar os elementos e os conteúdos na interface, com hierarquia, estrutura e etc., de forma que o usuário entenda o que vê e encontre o que precisa.
    • Design de Interação – focado na interação do usuário, incluindo questões como: feedback de sucesso e erro, possibilidade de desfazer ações, etc.
    • Padrões de UI – são guias a serem seguidas para que o usuário consiga usar o produto em um ambiente específico. Por exemplo, usuários de iPhone e de Android tem padrões bem diferentes!
  • UX Design – é a parte que se preocupa com a experiência do usuário com o produto, incluindo:
    • Proposta de Valor – o produto que vamos construir resolve um problema real para o cliente? O cliente vê valor nesse produto a ponto de querer usá-lo?
    • Usuário – quem é nosso usuário e como o produto se encaixa na rotina dele?
    • Jornada – como é o caminho do cliente ao usar o produto, desde o momento em que ele descobre o produto? Quais os pontos de contato que ele tem com o produto nessa jornada, e como esses pontos de contato afetam sua satisfação?
    • Onboarding – como vamos ajudar os clientes na sua primeira experiência com o produto?
    • Retenção – quais mecanismos precisamos para que o cliente continue usando nosso produto?
    • UX Writting – preocupa-se com a redação de textos explicativos e mensagens exibidas para o usuário.
  • User Research – é a área que lida com pesquisa e coleta de dados, incluindo, entre outros:
    • Entrevistas – técnica para coletar dados através de uma conversa estruturada com usuários.
    • Observação – técnica para coletar dados através da observação dos usuários no seu ambiente real.
    • Testes de Usabilidade – técnica para testar e coletar feedback sobre o produto.

Vale observar que essas áreas não são estanques, elas interagem e influenciam umas às outras. Por exemplo, a UI é uma parte da UX, e a UX não é definida sem Research. A separação serve mais para fins didáticos, para ajudar a organizar todos os tópicos de interesse.

Além dessas, ainda existem outras áreas do Design que podem ser importantes para um produto digital, mas que não fazem parte do time de produto. Por exemplo:

  • Design de Marca – se você está criando um produto, talvez precise também de um esforço de branding, que inclui o design dos símbolos ou logotipo da marca.
  • Design de materiais para o marketing do produto – se você vai divulgar seu produto no mercado, também precisará de design para criar peças publicitárias, campanhas, e materiais de venda ou apresentação do produto.

Como um designer afeta o produto?

O resultado esperado do trabalho de Design é melhorar os seguintes fatores do produto:

  • Utilidade: o produto é útil e conectado as necessidades reais dos usuários?
  • Valor: o produto oferece algo de valor para o cliente?
  • Encontrabilidade: o usuário consegue entender a proposta do produto, e encontrar sua utilidade?
  • Usabilidade: o usuário consegue usar o produto para atingir os seus propósitos?
  • Acessibilidade: usuários com limitações permanentes ou temporárias também conseguem acessar as utilidades do produto?
  • Confiabilidade: as pessoas acreditam no produto, e confiam que ele vai entregar o que promete?
  • Desejabilidade: quais emoções o produto evoca em quem usa? Os usuários têm emoções positivas, que os fazem desejar o produto?

O designer pode trabalhar só na definição do produto?

Essa é uma pergunta que já recebemos algumas vezes. Por que a pessoa Designer precisa fazer parte do time? Por que não pode atuar apenas no início, “criar a UX”, e depois o time de produto segue as definições durante todo o desenvolvimento?

Bom, na verdade, o design não “cria” uma UX. O que a pessoa Designer faz inicialmente é propor uma solução que acredita que é adequada. Mas, experiência é o que o usuário realmente vivência ao usar o produto. Como na imagem abaixo, às vezes a experiência do usuário acaba não sendo como se imaginou a princípio.

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Experiência do Usuário. Fonte: Imagem própria.

Nesse momento, entra em jogo a natureza iterativa do desenvolvimento de produtos: uma primeira versão é colocada em uso ou testada com um grupo pequeno de usuários, o feedback é coletado e o produto é ajustado para melhorar a experiência.

Por isso, a pessoa Designer tem uma atuação contínua, iterando e continuamente evoluindo a proposição de experiência do usuário, além de criar a UI de novas funcionalidades. De acordo com Pricila Sales, UX Designer na SoftDesign, dentre os princípios e práticas de um designer temos a atuação estratégica, que vai muito além da etapa inicial de definição. “Buscamos continuamente a identificação de oportunidades, assim como promover a construção de produtos que permitam uma boa experiência ao consumidor e que proporcionem destaque, gerando valor para o negócio”, ressalta.

Como é o dia a dia da pessoa Designer no time de produto?

A pessoa de Design tem um trabalho muito próximo da pessoa de Product Management. Essa dupla atua em conjunto o tempo todo em atividades como:

  • Pesquisa e testes com usuários;
  • Análise e proposição de soluções;
  • Reuniões com o time para refinar e debater as soluções propostas;
  • Testes das soluções, criando protótipos e melhorando-os através de validação e testes com stakeholders e usuários.

Cada solução planejada precisa então ser detalhada, o que é um trabalho um pouco mais solitário, no qual a pessoa de Design vai estruturar:

  • Fluxos, para analisar e propor a interação;
  • Protótipos de alta fidelidade, que representam a UI, já com todos os detalhes, como tamanhos, espaçamentos, cores, mensagens etc.

Além disso, Designers possuem uma atuação próxima ao time durante a sprint de desenvolvimento, participando ativamente no dia a dia para tirar dúvidas e, principalmente, para conciliar o Design proposto com as restrições e possibilidades da tecnologia.

Exemplo de ferramenta de design. Fonte: Imagem própria.

Um designer ou múltiplos designers?

Para encerrar, a última dúvida que iremos responder é sobre a quantidade e especialidade dos Designers que devem formar seu time de produto. Em um produto em fase inicial, quando apenas um time está trabalhando, e você tem até cinco engenheiros envolvidos, uma pessoa de design provavelmente é capaz de atender a demanda. Esse número é uma proporção aceita no mercado, segundo a pesquisa do NN Group. Além disso, nessa fase a pessoa de Design provavelmente será generalista, acumulando tarefas de UI, UX e Research.

Porém, conforme o produto evolui, o time cresce e a complexidade aumenta. Sendo assim, é normal não só aumentar o número de designers, mas também começar a trabalhar com pessoas especializadas em cada área.

Designers na SoftDesign

Em nosso processo de trabalho, designers participam da Concepção de novos produtos e durante todo o ciclo de vida do Desenvolvimento, executando atividades focadas em UX, UI e Research. Na SoftDesign, a nossa maior missão é entregar produtos que serão usados, amados e que geram valor, e para isso o trabalho de design é essencial.

Se você precisa de ajuda para criar produtos úteis e desejados, propor experiências de uso e desenvolver produtos de sucesso, entre em contato conosco por meio do formulário abaixo. Juntos, iremos conectar tecnologia, design e estratégia!

 


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Micaela L. Rossetti

Head de Marketing da SoftDesign, é formada em Jornalismo (UCS), mestre em Comunicação Social (PUCRS), e tem MBA em Gestão de Projetos (PUCRS). Especialista em Inbound Marketing e Content Marketing, também atua com Marketing Estratégico e Growth Marketing.

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