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Heurísticas de Nielsen

Micaela L. Rossetti
por Micaela em 17/01/2020
9 minutos de leitura

No SoftDrops* do dia 08 de janeiro, a UX Designer Gabriela Sombrio falou sobre as Dez Heurísticas de Nielsen, que foram criadas em 1994 pelo cientista da computação Jakob Nielsen, a partir de anos de estudos sobre usabilidade. Ao lado de Don Norman, ele fundou posteriormente a Nielsen Norman Group, renomada empresa americana de consultoria em interface e experiência de usuário.

As Heurísticas de Nielsen são diretrizes de design que orientam e podem ser aplicadas na criação da maioria das interfaces de produtos e serviços digitais ou físicos, com o intuito de promover boas experiências de uso. “Elas nos mostram quais são os principais pontos que devemos considerar no momento da interação do usuário com a plataforma. Ao cuidar desses pontos, diminuímos a carga cognitiva do usuário e permitimos que ele se foque apenas no necessário durante a navegação”, explicou a UX Designer.

As Des Heurísticas de Nielsen são:

1.Visibilidade do Status

Consiste em informar ao usuário o que está acontecendo por meio de feedbacks em tempo razoável. Por exemplo: quando apertamos o botão de um elevador para chamá-lo, ele indica com uma luz que recebeu a solicitação e irá executar a ação. O mesmo deve acontecer com ‘cliques’ realizadas pelo usuário em produtos digitais. Esse mecanismo de visibilidade do status o ajuda a confiar no sistema e faz com que ele se sinta no controle das ações.

Exemplos em interfaces digitais: mostrar a quantidade de passos restantes para finalizar determinada etapa; criar efeito hover em elementos clicáveis; mensagens de confirmação de finalização ou andamento de processos.

2. Correspondência entre o sistema e o mundo real

Usar termos tecnicamente padronizados pode ser um erro se o seu usuário não tem familiaridade com eles. O sistema deve usar a mesma linguagem do usuário – palavras, termos, rótulos e ícones. É preciso compreender como ele interpreta mensagens para facilitar sua interação com o produto digital. Por exemplo: quando vemos uma placa com o desenho de uma bomba de gasolina, entendemos que em breve encontraremos um posto.

Exemplos em interfaces digitais: utilizar ícones que remetem ao mundo real (elementos com usos parecidos); usar termos e nomes de produtos ou serviços que o seu usuário normalmente utiliza.

3. Controle e liberdade do usuário

Principalmente na navegação mobile, o usuário pode executar ações por engano e precisa de uma ‘saída de emergência’ claramente sinalizada. Assim, ele pode deixar o estado indesejado retornando ao ponto anterior, sem precisar passar por um fluxo extenso novamente. Por exemplo: o que seria de nós sem o botão voltar dos browsers de internet?

Exemplos em interfaces digitais: botão “voltar”, “cancelar” ou “desfazer” sempre à vista.

4. Consistência e padrões

A interface de um produto ou serviço digital deve ser previsível e de fácil aprendizagem. Por isso, é importante que o software mantenha padrões de linguagem, cores e formas para orientar ações, e mantenha alguns padrões de usabilidade que já são utilizados em outras plataformas parecidas. Mudar padrões significa aumentar a carga cognitiva para o usuário, o que pode frustrá-lo e fazer com que não efetue as ações são necessárias.

Exemplos em interfaces digitais: o tamanho e a fonte dos títulos devem ser sempre os mesmos; se o botão é caracterizado por ser amarelo, só utilizar essa cor (padrão) para identificar outros botões; usar o carrinho de compras em e-commerce sempre no canto superior direito (padrão já consolidado).

5. Prevenção de erros

Estudando a navegação do usuário, é possível prever e mapear prováveis erros que serão cometidos. Comece mapeando e prevendo os erros que podem causar danos sérios, e depois siga para os que possam causar confusão e frustração. Isso irá economizar tempo do usuário (perderá menos tempo tendo que lidar com suporte) e aumentará a confiança dele no seu produto ou marca.

Exemplos em interfaces digitais: em uma página de cadastro, avisar o usuário se o número de telefone for inválido antes que ele envie a informação para descobrir que está errada; ou então diferenciar, de forma clara, botões que confirmam ou cancelam uma ação.

6. Reconhecimento ao invés de memória

Para minimizar a carga cognitiva do usuário, é preciso tornar objetos, ações e opções visíveis e identificáveis, para que possam ser reconhecidos (e não lembrados ‘de cabeça’). O contexto deve sempre fornecer essas ‘dicas’ que auxiliem a navegação.

Exemplos em interfaces digitais: pesquisar e então citar os principais produtos que o usuário geralmente procura no site; ou criar um menu claro (o usuário não precisará lembrar o que ele está procurando, ele irá ler as opções e reconhecerá a que precisa).

7. Flexibilidade e eficiência de uso

O sistema deve atender a usuários inexperientes e experientes, fornecendo facilitadores para ações frequentes. Isso pode acelerar a interação do usuário com o produto digital.

Exemplos em interfaces digitais: criar atalhos de teclado para usuários mais experientes.

8. Estética e design minimalista

Significa manter o design focado no que interessa. Cada recurso extra pode comprometer a atenção dos elementos relevantes, diminuindo a sua visibilidade. As interfaces não devem conter informações irrelevantes ou que raramente serão necessárias: elas acabarão tornando-se ruídos que atrapalharão a entrega da mensagem principal.

Exemplos em interfaces digitais: quando o usuário navega em um site, elementos gráficos em excesso/sem função podem fazer com que ele tenha dificuldade de encontrar aquilo que procura, ou os distrair.

9. Recuperação diante de erros

O usuário deve conseguir reconhecer, diagnosticar e se recuperar de erros. Para isso, os erros devem ser sempre sinalizados de forma clara, com mensagens mostradas em linguagem simples (sem códigos), indicando precisamente o problema ocorrido e sugerindo, de forma construtiva, uma alternativa ou solução.

Exemplos em interfaces digitais: quando um erro ocorrer, sinalizá-lo com cor vermelha, escrever o que aconteceu de forma a explicar como resolvê-lo – ou dar opções de solução (como um ‘tente novamente’, ‘voltar’, ‘tentar mais tarde’, ou ‘senha incorreta, deve conter no mínimo 5 dígitos’).

10. Ajuda e documentação

Sempre que possível, ofereça ajuda ao usuário sem que ele precise solicitar. Ou seja, é necessário identificar em quais etapas ele poderá encontrar dificuldades para, nessas, inserir explicações sobre as ações.

Exemplos em interfaces digitais: o onboarding de uma plataforma que guia o usuário durante o seu primeiro cadastro e explica a ação de cada botão; ou um tooltip inserido em um ponto crítico de algum processo.

Estratégias humanizadas

As Dez Heurísticas de Nielsen tornam nossos produtos e serviços digitais menos mecânicos e mais humanos. Afinal, aplicativos, plataformas e sistemas existem para simplificar o dia a dia das pessoas e, quanto mais agradável e fluída for sua usabilidade (experiência de uso), maior será a sua eficiência.

Quer saber mais sobre as Heurísticas de Nielsen? A Nielsen Norman Group possui um canal no YouTube com diversos vídeos de conteúdos. Vale a pena dar uma olhada!

*O SoftDrops é um evento de troca de conhecimento que acontece todas as quartas-feiras, na sede da SoftDesign. A cada semana, um colaborador se predispõe a expor para os colegas algum tema de seu interesse, que tenha relação com os três pilares do nosso negócio: design, agilidade e tecnologia. A minipalestra dura em torno de trinta minutos e é seguida por um bate-papo entre os participantes.