Cultura Ágil: um caminho para a inovação

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Estamos chegando ao último trimestre de 2020. O cenário atual, causado pela pandemia de coronavírus, segue cheio de incertezas em relação ao ‘novo normal’ e a como as empresas, que atravessaram este primeiro momento, poderão se reinventar e seguir relevantes no mercado. Dado esse contexto, o modelo tradicional de trabalho – vertical e sem a possibilidade de rápidas mudanças – foi colocado à prova, e as empresas que já possuíam uma cultura ágil saíram na frente na corrida da adaptação ao novo formato de trabalho e ao novo modo de fazer negócios.

Aqui na SoftDesign, falamos constantemente sobre a necessidade das organizações de passarem por um processo de transformação digital para alcançar a inovação. Normalmente, surgem discussões sobre como médias e grandes empresas (com processos já bem estabelecidos) podem começar a trilhar esse caminho para se ajustarem aos novos tempos.

Com frequência, esse processo começa pelo setor de TI da empresa, mas como fazer para que todas as áreas da organização estejam em sintonia sobre o tema? E o mais importante, por que é preciso realizar tais mudanças?

Do tradicional ao digital

Se há algo que a pandemia comprovou, foi a necessidade de ser altamente adaptativo frente a volatilidade do mercado. Segundo uma pesquisa do IBGE, mais de quinhentas mil empresas fecharam as portas no Brasil em virtude da crise sanitária. Por esse motivo, sempre que possível, é fundamental buscar processos mais eficazes e novos produtos ou serviços digitais para permanecer relevante no seu nicho de mercado. Ainda assim, não significa que você irá abandonar tudo o que conhece e começar algo completamente diferente: é um processo gradual de constante aprendizado e melhorias que irá lhe auxiliar na busca pela inovação.

Para tanto, é essencial pensar em agilidade. Esse é um dos três pilares fundamentais que guiam o desenvolvimento de serviços e produtos digitais aqui na SoftDesign, e pode também ser um dos fatores que irá catalisar a transformação da sua empresa. Para que isso ocorra, não basta ter apenas uma área operando com métodos ágeis, passar a utilizar a tecnologia do momento, ou até mesmo contratar um software para lhe auxiliar. É necessário que o modelo mental – e organizacional – seja incentivado entre todos os colaboradores, desde a camada de gestão até a operação, e que essas pessoas estejam abertas para a experimentação.

A cultura ágil como ferramenta de transformação

Esse mindset é o que conhecemos como Cultura Ágil, que não se limita aos métodos ou frameworks. Esses são, de fato, muito importantes e servem como ferramentas desse novo modelo, mas o essencial aqui são as pessoas. Essa cultura exige maturidade dos profissionais, pois demanda auto-organização, responsabilidade para trabalhar em equipe e a compreensão do papel que você irá cumprir no grupo.

Por consequência, ela fornece uma maior entrega de valor e empodera os colaboradores para tomar decisões relevantes para o negócio. Nesse sentido, os líderes devem ter em mente que são facilitadores do processo, resolvendo impedimentos e possíveis problemas que possam causar atrasos nas entregas ou comprometer o modelo, além de atuar como guardiões e disseminadores dessa cultura.

Dentro desse modelo, utilizando o Scrum, por exemplo, as entregas são realizadas em ciclos (sprints) a partir de um processo de experimentação, ou seja, há espaço para testar hipóteses, errar e fazer melhorias. Como falamos, um dos principais objetivos desse modelo é gerar mais valor com menos desperdícios, pois ele torna a organização mais adaptativa e aberta às mudanças de mercado, e até mesmo auxilia na antecipação de problemas. Essa combinação de fatores permite que os riscos de uma crise como a que estamos vivendo, por exemplo, sejam minimizados.

Uma cultura aplicável em diversas áreas

Um erro comum é pensar que essa cultura só funciona em empresas de tecnologia. Apesar de ter começado nesse meio, ela já passou a ser implementada em outras áreas de mercado há algum tempo. O Manifesto Ágil, criado no início dos anos 2000, fala sobre valores e princípios para desenvolvimento de software. Esses são os quatro valores principais.

– Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
– Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
– Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
– Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Essas são as premissas da agilidade. Como podemos ver, ela é centrada em pessoas e só irá funcionar se for disseminada entre todos. Os criadores do Manifesto identificam valor no que está à direita, mas os elementos à esquerda são os reais norteadores da mudança. Tendo isso em vista, fica mais claro o que falamos anteriormente: somente por meio do constante aprendizado e da experimentação é possível gerar mais valor e capacidade de adaptação em diferentes contextos.

Além disso, os itens acima não são relevantes apenas para desenvolver softwares. Veja a necessidade de responder às mudanças, por exemplo, é algo que todas as empresas precisarão, visto às mudanças que estão acontecendo no mundo.

Como efetivar a cultura em diferentes setores

Justamente por essa necessidade de se modificar que o modelo passou por adaptações para ser implementado em outras áreas. Veja no marketing, por exemplo, onde outro manifesto foi criado, inspirado no original. Frameworks como o Scrum ou métodos como o Kanban são utilizados para otimizar as entregas e planejar ações. Dessa forma, não se desenha mais orçamentos e planejamentos estratégicos anuais definitivos. A abordagem iterativa e incremental é utilizada para reavaliar periodicamente as ações. Já as cerimônias são aplicadas para o melhor funcionamento da equipe.

Para que tudo isso funcione, reforçamos a necessidade de contar com pessoas no centro das ações. É imprescindível que os profissionais estejam aptos para operar essas mudanças, que a equipe tenha maturidade para receber feedbacks e tenha responsabilidade para trabalhar de forma auto-organizada. Não é somente o seu produto ou serviço que deve se adaptar às mudanças do mercado, que deve atender as exigências do seu cliente. Você, enquanto organização deve criar o ambiente e promover as condições necessárias para que se abra os espaços para a transformação digital – e a inovação será uma consequência.

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