Transformação digital: não se engane

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Transformação Digital
por em 29 de setembro de 2020

Negócios pequenos, médios e grandes estão, neste momento, com a mesma preocupação: entender como mudar suas organizações para tornar a inovação digital uma realidade. Com o nosso trabalho de desenvolvimento de produtos digitais, acompanhamos diversas empresas nessa jornada, e iremos compartilhar aqui alguns dos enganos que podem levar à frustração no processo de transformação digital.

1. Transformação digital não é adotar o Scrum

Hoje, parece estar claro que um dos pilares da transformação digital é a agilidade. Porém, muitas organizações criam projetos de transformação digital que, basicamente, consistem em treinamentos de Scrum e na adoção do método dentro de algumas equipes – com a crença de que ao fim dessa adesão, estaria concluída a transformação.

Ainda que a agilidade seja, de fato, essencial para responder rapidamente às mudanças e entregar valor, sozinha ela não torna uma empresa digital.

O resultado alcançado com a prática desse engano é facilmente encontrado: empresas aonde o time de desenvolvimento trabalha realizando entregas frequentes, porém os gargalos existentes à montante e à jusante impedem a entrega de valor efetiva. Um exemplo clássico é quando as entregas ficam prontas rapidamente, mas o processo de deploy é manual, burocrático e lento. Ou ainda, quando o processo de avaliação de oportunidades e priorização é feito em um ciclo anual de planejamento, o que resulta no trabalho em cima de produtos que, eventualmente, já estão com uma estratégia obsoleta.

Nossa sugestão neste caso é que você entenda a necessidade de adotar a agilidade em toda a cadeia de valor. Algumas dicas importantes:

– Para entender o que está acontecendo na sua empresa, conheça a Lei de Evan sobre os gargalos da agilidade;

– Estude sobre kanban, lean e desenvolvimento enxuto e conheça o seu fluxo de valor;

– Evolua DevOps: remova os gargalos para entregar o valor que seu time gera;

– Pesquise sobre portfólio ágil: muitas organizações já estão criando maneiras de lidar de forma mais ágil e em ciclos com a identificação e seleção de inciativas – você pode aprender com esses cases e desenvolver um modelo adequado.

2. Transformação digital não é aplicar uma solução

Novas soluções estão surgindo a todo momento, cada vez com mais velocidade e maior capilaridade. Surgem novos produtos, serviços ou conceitos que se tornam buzz words, e acabam criando nas organizações a sensação de dívida, de estar ficando pra trás. Assistimos a esse fenômeno com o mobile, o cloud computing, os chat bots e a IoT – quando todos estão falando sobre isso, é normal que as empresas se sintam obrigadas a se posicionar.

Eventualmente, isso cria um engano: a ideia de que a transformação digital consiste em adotar a solução da moda.

Quando o negócio cai nesse conto, percebemos que há um grande esforço nos projetos para adotar determinadas tecnologias. Expectativas são depositadas nesses projetos, e eles são planejados detalhadamente e já tem um escopo e data definidos. A frase “este projeto não pode falhar” começa a ser ouvida.

Como a tecnologia é nova e existem riscos envolvidos, o projeto demora mais e tem maior custo do que o planejado. Ao final, a tecnologia nova está implantada, mas não mudou o negócio nem a experiência do cliente.

Não fica claro se o projeto foi um sucesso, pois o foco estava em implantar a tecnologia (output) e não em atingir algum resultado específico com isso (outcome). A consequência é uma sensação de que a área de tecnologia não gerou muito resultado e demorou demais para entregar.

Para não cair nesta armadilha:

– Primeiro, é importante lembrar que qualquer tecnologia só deve ser adotada com um objetivo claro: resolver um problema dos clientes, melhorar uma jornada, oferecer um novo serviço, etc. Assim, fica muito mais fácil saber o que é sucesso e o que não é, e torna possível que haja flexibilidade no escopo do projeto, porque o importante é atingir o objetivo;

– Segundo, é relevante considerar que a cultura de experimentação faz parte da transformação ágil. Você não deve entrar em empreitadas longas e prescritivas para fazer coisas inovadoras, mas sim pensar em uma série de pequenos ciclos de experimentação e aprendizado que podem levar você até o objetivo.

3. Transformação digital não é um projeto

Retomando a definição clássica do Project Management Institute (PMI), projetos são iniciativas com início e fim bem definidos, que entregam um produto ou valor único. Quando o ímpeto de transformar atinge uma empresa, é muito comum iniciar um projeto, designar um gerente e aguardar os louros.

É claro que dentro da sua transformação você pode ter projetos que vão entregar itens específicos, como novas capacidades ou mudanças estruturais. Porém, a transformação digital é algo muito mais contínuo. Vê-la como um projeto poder trazer uma distorção importante: as pessoas vão ter a sensação de que ela acaba, tem fim, e que após há o retorno para um estado de calmaria.

Oras, transformação digital é sobre desenvolver a capacidade de se transformar continuamente – sempre experimentando novas soluções e avaliando o valor que elas entregam para o negócio.

Quando uma empresa comete esse engano, é comum enxergar uma fase de grande agitação – com treinamentos, workshops, implantação de novas ferramentas ou tecnologias, etc. Depois, há uma volta aos processos normais do dia a dia.

Ao invés disso, encare a transformação digital do seu negócio de forma transformadora: use os conceitos de entrega de valor contínuo, ciclos curtos e experimentação para realizar essa jornada.

4. A transformação digital não vai fazer o seu time entregar mais rápido a lista de projetos

Esqueça sua lista de projetos. O mais provável é que eles estejam defasados em relação ao mercado, inchados com requisitos de pouco valor e planejados para a construção monolítica.

A transformação digital deveria habilitar sua empresa a trabalhar de forma mais contínua e suave. É a chamada cultura de fluxo contínuo de valor, ou o movimento #noprojects.

A ideia é não trabalhar mais com projetos, mas sim com times de entrega contínua, que tem um backlog de itens a realizar, sendo que esse pode ser revisado e repriorizado em ciclos muito mais curtos do que os tradicionais ciclos de escolha de projetos.

A ideia desse modelo, acredite, é garantir mais previsibilidade dos custos e prazos. Sim, porque se um time trabalha de forma contínua, os custos são fixos e previsíveis. E se esse time trabalha junto por um longo período de tempo, é muito mais fácil prever o que cabe em um ciclo de entrega. Além disso, com o planejamento em ciclos mais curtos, os itens são menores, o que gera menores erros de estimativa.

Além disso, essa forma de trabalho propõe reduzir o tempo de entrega, porque diminui a burocracia ou overhead que muitas empresas enfrentam no seu ciclo de especificação, defesa, escolha e iniciação de projetos.

Então, a sugestão é esquecer a sua lista de projetos, estruturar uma equipe de entrega contínua de valor e começar a quebrar esses projetos em itens bem menores, que realmente tenham valor agora, dentro de um backlog priorizado.

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