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Métodos Ágeis no Desenvolvimento de Scale-Ups

Tempo de leitura: 9 minutos
Negócios DigitaisStartups
por em 27 de outubro de 2020

Na última semana, tive o privilégio de estar com os amigos da Silva Lopes Advogados participando do CASE STARTUP SUMMIT 2K20 – maior evento de empreendedorismo da América Latina. O convite feito pelo CEO Layon Lopes da Silva foi de que eu palestrasse ao vivo no stand virtual do escritório, para contar aos participantes do evento um pouco sobre Métodos Ágeis no Desenvolvimento de Scale-ups.

Agora, trago aqui alguns tópicos que abordei na minha apresentação. Se você tiver interesse, pode assistir à palestra na integra no link que coloquei ao final deste artigo.

As dores mais comuns

Para começar, é preciso entender que a scale-up é uma empresa que já validou suas hipóteses, já testou o modelo de negócio e já tem uma proposta de valor clara; e agora busca escalar. Ou seja, ela já passou por ideação, validação, já começou a operar e agora quer crescer rapidamente e conquistar uma receita recorrente.

É nesse momento que a scale-up (que quando startup trabalhava com um pequeno número de clientes que exigiam pouco da operação) começa a sentir uma série de dores. Isso acontece porque com um maior número de usuários é preciso de maior estrutura e multiplicam-se os feedbacks que exigem atenção. Podemos citar, entre essas dores:

1. Partes ‘inacabadas’ ou simplificadas do produto, que exigem operação manual e que são comuns em etapa de MVP, passam a incomodar usuários;

2. Gargalos do produto, que foi feito com baixa escalabilidade técnica para validação, e agora precisa de melhorias em hardware e/ou software;

3. Necessidade de aumentar a velocidade de entrega de novas funcionalidades e de alterações;

4. Necessidade de dar sustentação ao dia a dia do produto, em paralelo ao desenvolvimento;

5. Aumento da equipe, para continuar escalando em desenvolvimento e operação – complexidade maior da equipe;

6. Necessidade de maior colaboração entre as pessoas na empresa com diferentes setores.

O negócio digital

Olhando para essas dores, conseguimos perceber que ao menos quatro delas tem relação direta com tecnologia, certo? É por isso que o empreendedor precisa entender que uma scale-up digital é uma empresa de software – independente do produto ou serviço que esteja oferecendo ao mercado. E eu, como empreendedor e fundador de uma empresa de software, trabalhando há mais de vinte anos em desenvolver maturidade de desenvolvimento de software, sei que isso é muito complexo.

Isso significa, na verdade, que a scale-up terá de lidar com problemas inerentes à área de tecnologia, ao produto digital, além daqueles relacionadas ao negócio, à operação, e ao marketing – já esperados. Na imagem abaixo, é possível entender melhor o que faz parte de cada uma dessas áreas.

negocio_digital

O produto digital

Em relação à área do produto digital, que é a parte na qual tenho maior experiência, sugiro que no momento de escalada o empreendedor se pergunte quais são seus conhecimentos sobre tecnologia, design e agilidade. Isso porque acredito que esses são essenciais para a construção e sustentação de um bom produto digital. Explico.

1. O time da scale-up conhece sobre tecnologia? Sabe escolher a melhor stack a ser usada para o produto? Consegue decidir sobre infraestrutura? Tem experiência com arquitetura para escalabilidade? São perguntas que somente técnicos com uma boa experiência, arquitetos de software, conseguem responder com segurança (e esses são raros no mercado).

2. O time da scale-up tem experiência em usabilidade, em pesquisa? Conhece de UX e UI? Sabe fazer testes de usabilidade, discovery e experimentações? Tem conhecimento em análise de métricas? Isso é muito importante porque o usuário é o centro do produto, ele que guia, indica o caminho que deve ser seguido com o produto;

3. E por fim, como o time de desenvolvimento da scale-up se organiza? Como trabalha? Como faz estimativas? Quais práticas e ferramentas usa? Como faz sustentação? Afinal, não é possível demorar seis meses para lançar um produto no mercado; e se não houver algum grau de organização todo o esforço feito na etapa de validação do produto é desperdiçado.

É preciso que a scale-up tenha, no seu time, pessoas com domínio sobre essas áreas. Se esse não for o caso, existem duas possibilidades: desenvolver o conhecimento internamente – o que às vezes não é possível, visto que não há tempo para isso; ou contratar um parceiro que saiba lidar com essas áreas.

Isso certamente irá evitar problemas que a scale-up não precisa ter. Se o negócio não envolve uma nova tecnologia, uma tecnologia disruptiva, isso não pode ser o risco do negócio. O risco do negócio vai estar no modelo de negócio, na proposta de valor.

A agilidade como método

Os métodos ágeis são resultado de décadas de evolução e pensamento sobre como desenvolver produtos digitais – se você quiser entender melhor como foi a migração do método tradicional para o método ágil no desenvolvimento de software, pode ler este meu outro artigo aqui. Eles são métodos adaptativos, que priorizam o aprendizado através de ciclos de feedback rápidos, e da capacidade de adaptar-se às mudanças no cenário.

Os métodos ágeis devem ser usados nas scale-ups porque ajudam os times a se organizarem para buscar um objetivo. E para isso, no momento de escalada, é necessário justamente aprender, se adaptar ao feedback dos usuários e às novas situações do dia a dia. Assim, é possível testar, implementar melhorias e tornar o produto digital cada vez mais adequado ao mercado.

Mas quais métodos são esses? No caso das scale-ups, existem três possibilidades:

– Lean Software Development: método adaptado a partir do método Lean/Toyota que busca reduzir desperdícios, focar no aprendizado, entregar o mais rápido possível e empoderar o time;

– Scrum: é um framework muito prático, que traz uma definição de papéis e cerimônias para a equipe. Aqui surge o conceito de sprint, um time-box que ‘força’ o time a ter uma cadência de entrega, melhorando a nossa capacidade de priorização e tomada de decisão;

– Kanban: método extremamente adaptativo que tem apenas três regras básicas, mas exige muita maturidade: 1. Visualize seu fluxo de trabalho; 2. Limite o trabalho em progresso; 3. Meça e melhore o Lead Time.

A escolha entre esses métodos vai depender do objetivo no momento. Na SoftDesign, nós utilizamos o Scrum somente para times que estão trabalhando com desenvolvimento de novos produtos ou novas funcionalidades – ele nos dá um grau de previsibilidade muito bom; e o Kanban para times que estão trabalhando ao mesmo tempo em entrega de novas funcionalidades e sustentação do software em produção.

DevOps aliado ao método ágil

Para terminar, gostaria de comentar que, além do método ágil mais adequado, é interessante que a scale-up utilize conceitos de DevOps. Esse prega a colaboração entre desenvolvimento e operação para automatizar uma série de processos que tomam tempo. Além de um conjunto de princípios, ele traz também algumas práticas, como por exemplo: infraestrutura como código; deploy automatizado e métricas compartilhadas.

Existem outras muitas coisas que eu poderia escrever aqui, mas acredito que este artigo já está bastante longo. Então, deixo abaixo um formulário, caso você queira conversar mais ou tirar dúvidas sobre Métodos Ágeis no Desenvolvimento de Scale-ups.


Sugestões ou críticas para nosso blog? Entre em contato pelo endereço mkt@softdesign.com.br.

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Osmar A M Pedrozo

CEO da SoftDesign. Mestre em Administração pela UFRGS. Professor de Pós-graduação em Gerenciamento de Projetos da PUCRS, Unilasalle e UCS. Desde 1990 trabalhando com Tecnologia da Informação.

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