Tendências de tecnologia impulsionadas pelo coronavírus – parte 1

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Inovação
por em 11 de junho de 2020

Se antes a tecnologia já ocupava parte importante das nossas vidas, agora ela tem papel central e fundamental. A pandemia de coronavírus trouxe consigo diversos problemas que exigiram, rapidamente, diferentes e efetivas soluções, tanto para minimizar o contágio da doença, para manter a economia mundial ativa, ou ainda para permitir que as pessoas continuassem em contato, mesmo isoladas socialmente.

Nesse cenário, tendências de tecnologia que estavam em crescimento deram um salto: de possíveis no futuro, para efetivamente em uso no presente. Essa aceleração também agilizou a nossa tomada de consciência sobre elas que, agora, têm importância inegável – e provavelmente serão mantidas mesmo após a pandemia.

Compras online e entregadores robôs

No mês de abril, o e-commerce brasileiro cresceu 81% em relação ao mesmo período do ano anterior, faturando R$ 9,4 bilhões de reais. A população realizou 24,5 milhões de compras online, com destaque para os setores de alimentação e bebidas, instrumentos musicais, brinquedos, eletrônicos e cama, mesa e banho. As lojas físicas que ainda não realizavam vendas online criaram seus espaços na rede rapidamente – e aquelas que não o fizeram, certamente estão enfrentando uma crise financeira de proporções gigantescas.

Em países como Estados Unidos e China, alguns restaurantes inovaram no formato da entrega, para evitar o contato entre pessoas: implementaram um sistema em que a compra é deixada em um local específico para ser retirada pelo comprador. Ah, e a China foi ainda mais longe: efetivou a entrega por robôs – mas o serviço ainda está passando por uma série de regulamentações.

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Pagamentos digitais e sem contato físico

Cédulas de dinheiro podem carregar o vírus. Por isso, diversos governos e estabelecimentos privados estão recomendando o uso de cartões ou e-wallets. No Brasil, o crescimento das transações em abril representou aumento nas vendas de bares e restaurantes com cartões em 106%, supermercados, 45%, lojas de departamento, 13%, e farmácias, 5%.

Vale salientar, entretanto, que atualmente existem 1.7 milhões de pessoas no mundo que não possuem conta bancária – e que, portanto, não tem acesso a pagamentos digitais. Ah, e esses dependem sempre de uma boa qualidade de conexão com a internet.

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Trabalho remoto

Não há mais como negar. O home office tem se mostrado efetivo e resulta em uma série de vantagens para a sociedade: menor poluição, maior mobilidade urbana (menos engarrafamentos) e melhora na qualidade de vida. Entre as tecnologias que permitiram essa transição ‘da empresa para a casa’ estão as VPNs, VoIPs, reuniões virtuais, nuvens, ferramentas de colaboração e até reconhecimento facial – que permite a criação de fundos virtuais para preservar a intimidade das pessoas em web mettings.

Contudo, o trabalho remoto ainda esbarra em questões relacionadas à segurança das informações, à necessidade de suporte em tempo real, e às leis trabalhistas de cada país. Ah, e é preciso considerar que nem todo trabalho pode ser executado de forma remota.

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Educação online

Sem dúvidas, a educação foi uma das áreas mais impactadas pela pandemia de coronavírus, visto que sua modalidade presencial tornou-se inviável devido à alta probabilidade de contaminação. Estima-se que, neste momento, 1.57 bilhões de estudantes estão sem aulas presenciais no mundo, ao menos 57 milhões no Brasil. Muitas dessas foram substituídas pelas aulas online que envolvem, além das tecnologias usadas no trabalho remoto, realidade virtual, Inteligência artificial e impressão 3D.

Entretanto, no que se trata do Brasil, o ensino público não conseguiu implementar em sua totalidade a educação online, visto que muitas vezes nem professores nem alunos tem acesso à computadores e internet. Por esse motivo, há ainda uma preocupação de que as aulas online contribuam para o aumento da desigualdade social, e que as mulheres (mães) deixem o mercado de trabalho para acompanhar os filhos nas aulas em casa.

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Telemedicina

Para continuar fornecendo às pessoas atendimento básico de saúde, sem que isso contribua para o crescimento do coronavírus, profissionais de saúde tem se apoiado em tecnologias vestíveis (IoT) e chatbots. No Brasil, a telemedicina não era permitida por lei, e foi liberada em caráter excepcional durante a pandemia.

Porém, a telemedicina é realidade somente em planos de saúde privados, visto que o Sistema Único de Saúde (SUS) do país não possui suporte financeiro para tal. Além do mais, ela também precisa de uma boa conexão para funcionar – o que não é a realidade de muitos brasileiros.

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Essas são cinco tendências de tecnologia que devem continuar evoluindo durante a pandemia de coronavírus – até porque, como vimos, muitas delas ainda enfrentam variadas dificuldades. Ainda neste mês publicaremos outras cinco tendências de tecnologia que também ganharam espaço no primeiro semestre de 2020.

Principal fonte: World Economic Forum

Imagens: Freepik

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