Como a IoT pode ser útil à saúde em tempos de crise

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Negócios Digitais
por em 1 de abril de 2020

A nossa relação com as tecnologias está em constante transformação. Novos gadgets e dispositivos são lançados com frequência no mercado e prometem facilitar, cada vez mais, o nosso dia a dia. Exemplos vão de geladeiras que fazem a lista de compras sozinhas, a assistentes virtuais que ligam e desligam interruptores de luz a partir de um comando de voz.

A Internet das Coisas (IoT) é a responsável por conectar tais objetos físicos ao mundo virtual e pode ser solução para problemas de diversas áreas de mercado. Neste momento, não podemos deixar de pensar na saúde, que enfrenta globalmente a crise causada pelo rápido avanço da doença COVID-19.

O que é IoT?

Mas o que significa conectar objetos físicos ao mundo virtual? A Internet das Coisas (Internet of Things) permite que diferentes objetos concretos presentes na nossa rotina sejam conectados por meio de sistemas digitais e sensores inteligentes, que coletam e transmitem dados.

Além de mudar a forma como interagimos com nossos objetos, seja em casa ou no trabalho, a IoT pode auxiliar no processo de transformação digital pela qual diversas empresas estão passando. Ao possibilitar que dados sejam coletados em diferentes locais, a Internet das Coisas permite que análises sejam realizadas a partir de uma noção mais precisa do comportamento do usuário, facilitando a realização de constantes melhorias em produtos e serviços.

Nesse sentido, o cruzamento de dados torna-se parte fundamental da IoT. É a partir disso que a nossa rotina é impactada como, por exemplo, quando sabemos se há um engarrafamento no trajeto de casa ao trabalho; ou qual é o número de vagas de estacionamento que estão disponíveis no shopping. Ainda que a autonomia desses objetos inteligentes possa causar estranheza, a demanda criada e sua cada vez maior disseminação promovem novos usos para ‘antigos‘ aparelhos, como é o caso dos wearables.

O que são wearables?

Em tradução livre, os ‘dispositivos vestíveis’ são os aparelhos que podemos utilizar em nosso corpo, como um adereço. Alguns exemplos são relógios, pulseiras e óculos, categoria de produtos que está se popularizando de maneira rápida.

Já é comum que pessoas utilizem os smartwatches, relógios que são pareados ao smartphone e verificam frequência cardíaca, quantidade de passos diários e queima de calorias. Os óculos também são habituais, promovendo a realidade aumentada e uma interação diferenciada com o ambiente no qual estamos inseridos. E vale ainda citar os tênis que vimos no filme “De Volta para o Futuro 2”, que se tornaram realidade quando a Nike lançou um modelo autoajustável, equipado com sensores e bateria, para o conforto dos usuários.

Contudo, devido a pandemia que vivenciamos atualmente, é inevitável pensar na IoT também na área da saúde. Sistemas de diversos países estão sendo colocados à prova e o avanço dessa tecnologia pode contribuir para facilitar diagnósticos, monitorar pacientes e criar estratégias de contenção e suporte ao sistema de saúde em tempos de crise.

IoT na saúde

A inesperada pandemia de corona vírus trouxe à tona os diversos obstáculos enfrentados pelo nosso Sistema Único de Saúde (SUS), e a precariedade dos hospitais para lidar com o crescimento exponencial do vírus. Algumas abordagens de IoT podem ser de grande valia nesse momento, podendo contribuir para evitar um colapso do sistema.

Ainda que o desafio da segurança de dados esteja presente, no que diz respeito ao sigilo de informações de pacientes e profissionais da saúde, em 2018 a Business Wire publicou uma notícia sobre um dispositivo que poderia medir o nível de higiene das mãos de médicos e enfermeiros. É importante salientar que uma das principais formas de transmissão do corona vírus é pelas mãos, quando elas tocam o rosto. Isso poderia contribuir tanto para os pacientes que esses profissionais atendem diariamente, quanto para a manutenção da sua saúde deles próprios.

O monitoramento remoto de pacientes também seria uma das aplicações possíveis da IoT, uma vez que os dados dos pacientes poderiam ser transmitidos por dispositivos inteligentes, diminuindo a exposição de outras pessoas ao vírus. Ademais, isso contribuiria para evitar a lotação de hospitais e as aglomerações em ambientes de saúde, onde o risco de contaminação aumenta.

Ter os dados dos pacientes acessíveis também facilitaria o diagnóstico e rápido atendimento durante uma emergência. É fundamental que o profissional da saúde tenha o histórico do paciente que está atendendo. Com uma central de dados disponível, se tornaria muito mais simples acessar as informações dos pacientes e incluir dados para que o tratamento desse pudesse ter continuidade independente do local.

Entraves da IoT

Embora essas soluções possam contribuir para avanços na área da saúde, alguns entraves se apresentam na aplicabilidade da IoT. A DZone cita algumas delas como: estruturar uma network capaz de manter grandes volumes de informações que possam ser facilmente acessadas por profissionais da saúde a qualquer momento e local; a compactação da grande quantidade de dados; e a segurança da informação – que tem sido bastante discutida devido a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Existem inúmeras transformações que a IoT pode trazer não só para a saúde, mas também para outros setores da sociedade e para o nosso dia a dia. Ao passo que absorvemos essas novidades em nossa rotina e percebemos o quanto elas podem servir de auxílio em situações como a que estamos vivendo, novas aplicabilidades e objetos inteligentes irão surgir e poderão ajudar a sociedade a enfrentar esses novos obstáculos.

Fontes: GartnerAzure.

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