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Design Sprint no SoftDrops

Bruna Leite
por Bruna em 23/05/2019
6 minutos de leitura

Inspirado em métodos ágeis e Design Thinking, o Design Sprint é uma metodologia criada e aperfeiçoada pelo designer Jake Knaap em 2012 – quando ele era funcionário da Google Ventures, um braço da empresa focado em testar e acelerar ideias que ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento. O tema foi destaque no SoftDrops do dia 15 de abril, ministrado pela UX Designer Gabriela Sombrio.

Idealizar, testar e aprender

Gabriela explicou aos colegas que Design Sprint é uma metodologia que tem como objetivo criar e validar soluções para produtos/serviços em apenas cinco dias, pois transforma ideias em algo tangível e testável. Para aplicá-la, alguns aspectos devem ser definidos anteriormente, tais como: desafio, quanto maior for problema a ser resolvido, melhores serão os resultados; equipe, deve conter em torno de sete profissionais multidisciplinares, das áreas de design, desenvolvimento, produto e um representante do público-alvo; cronograma, previamente definido como cinco dias, mas pode variar de acordo com a necessidade da equipe; e espaço, é importante reservar um ambiente para a execução das atividades durante o período estabelecido.

Conforme a UX Designer, essa metodologia não segue o modelo convencional para o desenvolvimento de produtos e serviços. “O modelo tradicional consiste nas seguintes etapas: ideação, desenvolvimento, lançamento e aprendizado. No entanto, no Design Sprint somente as etapas de ideação e aprendizado são consideradas, minimizando gastos e esforços ao identificar falhas em projetos antes mesmo do lançamento”, explicou. Ou seja: no Design Sprint a solução não é desenvolvida. Com a análise do problema, será escolhida a solução mais adequada ao investimento (seja porque é a que traz maior retorno ou a que resolve o maior problema), e ela será apenas testada e validada. Ao final do processo, se tiver sido validada com sucesso, será encaminhada para posterior desenvolvimento e lançamento.

Apesar de ser uma metodologia voltada à inovação, existem situações específicas para as quais ela é mais indicada, tais como: startups em estágio inicial; projetos internos; ideias que ainda necessitam de amadurecimento; criar ou refinar um conceito e validar alguma hipótese.

Colocando em prática

O calendário de organização do Design Sprint se divide da seguinte forma:

Dia 1 (segunda-feira) – Entender: a tarefa é mapear o problema e escolher um ponto importante para focar. É o momento de criar fluxogramas a partir de perguntas e pensar no objetivo à longo prazo. Durante o dia, especialistas devem ser convidados para participar da construção do problema enquanto o time anota os pontos que se destacam; e no final do dia, será escolhido o problema a ser resolvido.

Dia 2 (terça-feira) – Desenhar: o objetivo é esboçar soluções num papel ao fazer um benchmarking com empresas concorrentes que possuam o produto ou serviço similar ao que se pretende desenvolver. Nesse dia, cada integrante trabalha de forma individual e após, apresenta a alternativa que achou mais interessante para então esboçá-la.

Dia 3 (quarta-feira) – Decidir: é a etapa para tomar decisões difíceis e transformar as ideias em hipóteses que possam ser testadas. Nela, todos os esboços criados são expostos para votação. Após serem escolhidos, um storyboard é criado para que o fluxo da jornada do usuário seja identificado e as lacunas presentes nele sejam preenchidas.

Dia 4 (quinta-feira) – Prototipar: esse dia é dedicado para a criação de um protótipo realista. Ele não será desenvolvido efetivamente e pode ser feito em ferramentas como KeyNote e PowerPoint, por exemplo. O importante é visualizá-lo como se fosse o produto final.

Dia 5 (sexta-feira) – Testar: a última etapa é focada em testar a ideia com cinco pessoas do público-alvo por meio de entrevistas e navegação no protótipo. Nela, os entrevistados devem falar suas percepções de forma intuitiva, a fim de gerar insights para a criação de um mapeamento dos erros e acertos. A partir da análise das entrevistas, o time define quais pontos tiveram sucesso ou falhas e decide o resultado do Design Sprint.

Possíveis desfechos

Segundo Gabriela, três diferentes cenários podem ser identificados ao final de um Design Sprint:

Falha eficiente – ideia não funciona e não compensa seguir adiante. O que também demonstra sucesso no Design Sprint, pois em 5 dias foi testada e descartada uma ideia que poderia ter custado meses de desenvolvimento;

Sucesso falho – a ideia funciona, mas alguns aspectos precisam ser revistos e aprimorados;

Vitória épica – solução tem êxito absoluto.

“Além disso, se o grupo decidiu testar duas hipóteses em conjunto ao invés de apenas uma, é possível que dois cenários ocorram ao mesmo tempo. A partir daí, o grupo identifica e escolhe os pontos fortes de cada uma das soluções e inicia um novo Design Sprint focado em apenas uma delas para aprimorar mais a solução, ou então para juntar as duas soluções em uma só, no caso de duas Falhas Eficientes”, comentou.

DesignSprint(2)