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SoftDesign no Scrum Day 2019

Iris Ferrera
por Iris em 09/07/2019

No mês de junho, tive a oportunidade de encontrar colegas e mentores do ágil no Scrum Day, evento de Agilidade e Scrum dirigido exclusivamente pela comunidade global de especialistas da Scrum.org. A edição deste ano, cujo tema foi Business Agility – O que é e como promover agilidade para o negócio? , proporcionou uma série de insights importantes que compartilhei com meus colegas no SoftDrops e que, agora, gostaria de explorar também aqui no nosso blog.

Para minha surpresa, as palestras abordaram a agilidade de uma forma geral, e não especificamente o Scrum. As falas dos convidados foram em torno do âmbito coletivo e social, destacando a importância do envolvimento das pessoas dentro das equipes em todas as partes de uma organização ágil. Tudo isso, permeando os três pilares do Scrum, que são: transparência, inspeção e adaptação.

Nesse contexto, os palestrantes do Scrum Day falaram sobre a importância dos profissionais que atuam no formato ágil possuírem um conhecimento aprofundado sobre o tema, que os permita transitar entre valores, teorias e práticas. Além disso, eles devem ter foco no problema que se quer resolver e atuar de forma cooperativa, sempre aplicando os valores do Scrum, que são: coragem, foco, comprometimento, respeito e abertura.

Criando uma cultura ágil sustentável

Para debater esse tema, Dave West, CEO e Product Owner da Scrum, apresentou a percepção de que o mundo está passando por diversas mudanças de forma acelerada e em vários aspectos, desde o marketing com a globalização digital; a natureza com as mudanças climáticas; o crescimento populacional; e a tecnologia crescendo exponencialmente com o poder dos computadores. Isso cria um cenário conhecido como VICA (ou ‘VUCA’ em inglês) que se  refere à volatilidade, incertezas, complexidade e ambiguidade desses novos tempos.

Essa linha de raciocínio me remeteu ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman e seu conceito de ‘Modernidade Líquida’ (ou ‘Pós-Modernidade’), o qual explica de que forma as relações sociais ocorrem na atualidade, permeadas por fluidez, velocidade, mobilidade, ausência de forma definida e inconsistência. Isso demonstra que a transformação ágil está (ou precisa estar) presente na dinâmica das nossas rotinas, por conta da urgência e da liquidez que o cenário atual apresenta.

Além disso, West explicou que o ágil já estava inserido na sociedade antes mesmo que alguns frameworks ou processos fossem publicamente consagrados. Um exemplo disso foi a daily meeting realizada em 1990 pela Borland, durante o desenvolvimento do programa de planilhas eletrônicas Quattro Pro. Nesse contexto, não haviam gerentes nos times e as equipes precisavam manter uma comunicação clara, expondo seus avanços, dilemas e impedimentos. O conceito e metodologia Scrum foi criado somente três anos depois, em 1993, por Jeff Sutherland, John Scumniotales e Jeff McKenna.

Dicas para escalada ágil

Ainda, Dave West apresentou algumas dicas para implementar um processo ágil dentro de uma organização. São elas:

Cooperação: o ágil ocorre com as pessoas ajudando umas às outras, pois é nesse clima entre os membros dos times que ele se instala, ganha adesão e funciona.

Abertura: para corrigir os erros mais rapidamente, é preciso existir abertura e conforto nos times, a fim de não criar a cultura do medo de errar, o que gera um ambiente inseguro onde as pessoas não tem voz.

Multidisciplinaridade aplicada:  é importante incentivar todos os integrantes do time a se tornarem líderes dentro da esfera da multidisciplinaridade, para que eles tenham autonomia e façam seu autogerenciamento. Isso favorece ainda mais o clima de cooperação, respeito e comprometimento.

Outcomes:  Usar KPI’s de outcomes (resultados) no planejamento da sprint para garantir entregas com valor.

Hipóteses: é importante ter em mente que o ágil trabalha com validação de hipóteses e não requisitos. Por conta disto, a característica mais marcante do Scrum é a geração de incrementos, que podem ser identificados e medidos através de feedbacks contínuos.

Convergência prematura: mais foco na prática e menos no contexto

Outro assunto de extrema importância foi abordado no Scrum Day por Alexandre Magno, fundador da Emergee e Learning Facilitator, Scrum Practitioner e Trainer da K21.  Magno falou que é preciso ter atenção ao aplicar metodologias ágeis no nosso dia a dia, a fim de evitar a convergência prematura de soluções. Ela ocorre quando se acredita prematuramente que a solução do problema foi encontrada, baseada na conformidade com o social, ou seja, aquilo que todos estão usando, como novas práticas, novas ferramentas, etc. Nesse momento, vale refletir se a prática escolhida e que funciona para outras organizações é adequada a sua organização e ao problema se está buscando resolver.

Após essa reflexão, devemos utilizar Design Thinking para conseguir enxergar o problema de forma clara, utilizando os passos da metodologia, que são: problematizar, significar, apreender, experimentar e compartilhar. Isso permite que os times e a própria organização sejam mais assertivos e eficientes no emprego do ágil para solução de problemas encontrados, pois o foco passa a ser a entrega de valor.

Scrum Masters — Repaginando o Agile Master, Agile Coach ou Facilitador de sua organização

Para encerrar os principais insights do Scrum Day, destaco a palestra de André Silva, Agile Coach e Professional Scrum Trainer na Scrum. Ele falou sobre a importância do facilitador de Scrum apresentar resultados através da equação ter valores, utilizar a teoria e ser influente, e suas implicações quando aplicada de forma incompleta:

Com esse breve resumo do Scrum Day 2019, fica evidente para todos nós que a implementação efetiva de uma cultura ágil dentro desse cenário incerto que vivemos precisa de pessoas envolvidas de forma colaborativa, franca e clara. Isso possibilita identificar e resolver problemas de forma consistente, gerando assim resultados efetivos para a organização.