Setembro Amarelo: saúde mental em foco

Tempo de leitura: 7 minutos
por em 2 de setembro de 2021

Você sabia que 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil? Esse dado, fornecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), retrata que o suicídio mata mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer. Nosso país é o oitavo em números absolutos: no mundo, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, o que torna o problema uma epidemia global. 

Com essas informações, fica ainda mais clara a importância da Campanha Setembro Amarelo, mês dedicado a conscientização e a prevenção ao suicídio. No Brasil, ela é uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).  

Origem do Setembro Amarelo

Em 1994, o americano Mike Emme se suicidou: ele tinha apenas 17 anos. Mike era um garoto habilidoso que ficou conhecido por ter restaurado um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo – o carro passou a ser chamado de Mustang Mike. 

Infelizmente, o jovem tinha sérios problemas psicológicos, porém seus pais e amigos não percebiam sua angústia. Na época, questões de saúde mental não eram amplamente discutidas como hoje, e Mike não teve a ajuda que precisava. 

No dia do seu velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”. Os cartões e fitas foram feitos por amigos de Mike, e a iniciativa rapidamente ganhou grandes proporções e expandiu-se pelos Estados Unidos. 

Assim, o amarelo do “Mustang Mike” foi escolhido como a cor símbolo da luta contra o suicídio, vindo a nomear a Campanha Setembro Amarelo. Em 2003 a OMS decretou o dia 10 de setembro, dia da morte de Mike, como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.  

Fatores de risco

A conscientização e a prevenção ao suicídio começam por conhecer os principais fatores de risco do ato. Dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) indicam que 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos psiquiátricos. A tentativa prévia de suicídio é o fator de risco mais relevante, ou seja, a reincidência é uma realidade. Além disso, são outros fatores: 

  • A depressão, principalmente quando associada à ansiedade grave, ou quando se trata de Depressão Bipolar e Esquizofrenia;
  • Abuso e/ou dependência de álcool, drogas e analgésicos prescritos; 
  • Distúrbios físicos sérios, especialmente em idosos; 
  • Transtornos de Personalidade e Transtornos de Ansiedade; 
  • Entre os jovens, o componente da impulsividade também é um fator relevante – o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos; 
  • Desemprego e recessão econômica; 
  • Experiências traumáticas na infância; 
  • História familiar de suicídio e/ou transtornos mentais.

No entanto, conscientizar pessoas pode prevenir nove em cada dez situações de atos suicidas, por isso o Setembro Amarelo é tão importante! É essencial que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis saibam que podem buscar ajuda, preferencialmente um acompanhamento psicológico; e que possam contar com o apoio da família e dos amigos.  

Como estar atento aos sinais?

É importante que todas as pessoas observem indícios nos seus familiares e amigos. Alguns sinais podem servir de alerta: mudança brusca de comportamento, apatia ou forte desânimo, falar muito sobre morte e vontade de morrer (mesmo que em tom de brincadeira), expressar pouca esperança em relação ao futuro, ter comportamentos autodestrutivos e isolamento social espontâneo podem indicar o sofrimento extremo.  

Nesses casos, demonstrar preocupação e ouvir atentamente o que a pessoa tem a dizer, caso ela queira se abrir, fará diferença. É fundamental considerar os sentimentos alheios com seriedade e empatia. Mas, acima de tudo, é imprescindível incentivar a pessoa a buscar ajuda profissional, para que se inicie um tratamento com a orientação correta. 

Transtornos mentais e tristeza profunda  

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que problemas de saúde mental têm se tornado cada vez mais comuns em todo o mundo: 30% da população das Américas teve ou terá algum transtorno mental. O Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas, totalizando 9,3% da população.   

Estresse severo, síndrome de burnout, depressão e ansiedade são alguns dos sofrimentos psicológicos que afetam a qualidade de vida e bem-estar das pessoas. Infelizmente, os transtornos mentais e a tristeza profunda são bem mais comuns do que pensamos. 

Portanto, desmistificar tabus, dialogar sobre o tema, reconhecer sintomas e modificações de comportamento são passos fundamentais para a prevenção ao suicídio. Afinal, quanto mais cedo se busca ajuda, maiores são as chances de evitar o agravamento.  

E no trabalho, como ter uma rede de apoio?  

Conte com a liderança: acredite no espaço de acolhimento que existe nesta relação. Dividir as questões pelas quais você está passando pode tirar um grande peso de suas costas e amenizar seus medos e anseios, sejam eles do âmbito profissional, pessoal e/ou familiar. 

Observe seus colegas: cuidar das pessoas é muito mais do que uma tarefa da liderança. Convidamos os pares e colegas de equipe para que também estejam atentos aos sinais das pessoas do seu time. Observe mudanças de comportamento como não ligar a câmera nas chamadas, não comparecer em reuniões, desânimo ou apatia. Ofereça o seu apoio e/ou compartilhe suas questões.   

Buscando ajuda

Se você estiver precisando, e não tiver coragem de falar com familiares ou amigos sobre o problema, pode entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188. A instituição realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Além disso, existem alguns perfis no Instagram que você pode acompanhar para se informar e cuidar da sua saúde mental, como: EurekkaContente.vcSaúde Mental para Todos e _Psicologias. 

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