Loading Softdesign

Jantar SL sobre Open Banking tem patrocínio da SoftDesign

Micaela L. Rossetti
por Micaela em 12/12/2019
8 minutos de leitura

No dia 3 de dezembro, na Arena uMov.me, aconteceu o último Jantar SL do ano. O evento, exclusivo e trimestral mantido pela Silva Lopes Advogados, tem como intuito promover conteúdo relevante, gerar conexões e fomentar o nascimento de negócios, parcerias e investimentos no ecossistema de startups, scale-ups e empresas consolidadas.

Nessa edição, fomos patrocinadores do Jantar SL que teve como tema Open Banking: relacionamento entre bancos e fintechs. Entre os painelistas convidados estavam Jorge Krug, Diretor de TI e Inovação do Banrisul; Daniel Fogaça, CEO do GuiaInvest; e Pedro Schirmer, CEO e Founder da Safepag Pagamentos. Layon Lopes, CEO da Silva Lopes Advogados, ficou responsável pela mediação do debate.

O Open Banking no Brasil

Recentemente, no final de novembro deste ano, o Banco Central colocou em consulta pública a proposta de Open Banking no Brasil. A iniciativa, que já é uma realidade em países europeus e norte-americanos, visa a abertura de dados financeiros para que esses passem a ser de posse efetiva dos clientes, e não mais somente dos bancos.

Para Krug, representante do Banrisul, o Open Banking deverá ser a grande revolução em 2020 e 2021 no território nacional. Os bancos já consolidados estão discutindo fortemente a introdução desse modelo que abre caminhos para novos produtos e serviços e, consequentemente, atribui maior liberdade de escolha ao consumidor.

“A implementação do Open Banking no Brasil terá quatro fases: (1) a primeira – que terá início em 2020 – deverá durar cinco meses e estará concentrada em abrir a questão de custos, dos preços de serviços; (2) a segunda fase estará focada na questão dos dados cadastrais e terá oito meses de duração; (3) a terceira, que durará nove meses, diz respeito ao Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI); e a (4) quarta e última fase, abrirá todas as portas, investimentos, seguros, etc., e terminará ao fim de doze meses”, explicou Krug.

Schirmer pontuou que para os grandes bancos, o novo formato representa uma mudança de processo, de serviços, de receita, uma verdadeira transformação de posicionamento. Já para facilitadoras de pagamentos internacionais, como é o caso da Safepag, o Open Banking configura facilidade e autonomia. “Hoje, cada grande banco que opera no Brasil possui uma API específica e, por isso, tivemos que desenvolver uma tecnologia única que tornasse possível realizar transferências bancárias e gerar boletos para esses diferentes bancos. Com o Open Banking, o Banco Central irá obrigar os bancos a fornecer tecnologia padronizada que viabilize serviços de todos os pagamentos alternativos”.

Os benefícios para os usuários

Mas afinal, o que o cliente ganha com o Open Banking? Ou são somente as empresas da área financeira que têm motivos para comemorar tal abertura de dados? De acordo com Fogaça, atualmente à frente da fintech GuiaInvest, há motivo de celebração também para os usuários.

“Hoje existe uma série de serviços financeiros como, por exemplo, análise de crédito, que acabam sendo exclusivos do banco do qual a pessoa é correntista. Nesse cenário, se eu sou cliente há vinte anos do Banrisul, para o Banrisul é muito mais fácil avaliar se sou um bom pagador do que para o Itaú. Então, se eu quiser fazer uma análise de crédito no Itaú, essa instituição financeira não tem meu histórico, não tem como olhar para os meus dados. Com o Open Banking, se o usuário liberar, outros bancos ou fintechs podem ter acesso as suas informações, e o cliente pode escolher o produto que mais se adequa a sua necessidade”, salientou.

Outros benefícios foram citados por Schirmer que afirmou que, se uma pessoa tem um limite reduzido no cartão de crédito ou está negativada, mas ainda assim tem dinheiro na conta corrente, ela poderá reservar um Airbnb ou hotel para suas férias com uma simples transferência bancária. “A curto prazo, na primeira fase do Open Banking, o usuário já terá acesso a todos os produtos, serviços e preços dos bancos. Isso aumentará a competitividade do mercado, e poderá resultar em menores taxa de juros, tarifas, até uma possível exclusão de valores referentes a TEDs ou DOCs, por exemplo”.

Já para acionistas e investidores, as vantagens envolvem a facilidade de movimentação de dinheiro. Eles poderão ter uma visão global do seu patrimônio e receber recomendações mais assertivas de empresas como o Guia Invest, comentou Fogaça. “Quem sabe, em um futuro próximo, será possível visualizar todos os investimentos em uma mesma plataforma, independente dos bancos a que pertencem”.

Esses foram somente alguns exemplos citados pelos painelistas que garantem, ainda existem muitas vantagens possíveis. Diversas delas, inclusive, não podem nem ser imaginadas, pois o movimento de abrir os bancos tem grande potencial para ser revolucionário. Em cada fase há oportunidades para inovação e para facilitar a vida financeira das pessoas.

Coexistência de instituições financeiras

Desde 2017, o Banco Central está passando por um processo de forte flexibilização, com a entrada de novos players e a concretização de arranjos antes inexistentes. Por isso, Krug enxerga um caminho possível e promissor para o Open Banking no Brasil, mas afirma que isso não significa o desaparecimento dos grandes bancos ou das agências bancárias.

“Veja o Banrisul, por exemplo. Hoje ele tem aproximadamente 4 milhões clientes. A idade média desses clientes é de 52 anos – o que não é muito diferente de outros grandes bancos. Tomando por base que a longevidade atual do cidadão brasileiro está em aproximadamente 80 anos, esse cliente viverá ainda aproximadamente 40 anos. Ele já conhece o banco tradicional, ainda usa agência e efetua serviços bancários. Eu entendo que exista uma outra geração que não quer mais esse banco, que busca o banco digital. O que estou afirmando é que haverá a coexistência desses dois ecossistemas. A agência vai deixar de ser transacional, porque as transações serão cada vez mais digitais, mas ela continuará sendo uma agência de negócios”, finalizou.

Fogaça ainda lembrou que, no final do dia, o cliente não está preocupado se o produto ou serviço que ele utiliza vem de uma fintech ou de um banco tradicional. Se a solução for a melhor, a mais adequada para resolver o seu problema, é isso o que vai importar para ele. Ou seja, o player que oferecer o melhor serviço, será o que se destacará.   

Jantar SL terá novas edições em 2020

Após o debate, os painelistas e os mais de cem presentes foram convidados a saborear os hambúrgueres Dos Greco para continuar o diálogo de forma descontraída. Para acompanhar o momento, chope e refrigerantes à vontade.

Em 2020, serão mais quatro Jantares SL – um deles, inclusive, será realizado em São Paulo. Fique atento as redes sociais da Silva Lopes para não perder a oportunidade e garantir o seu ingresso.

*Foto: Mateus Alves Zorzi