Inteligência Emocional em tempos de COVID-19

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Desenvolvimento de Pessoas
por em 9 de julho de 2020

A pandemia de coronavírus, que chegou ao Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020, desenhou uma nova realidade para as pessoas. Mudanças como isolamento social e sair do trabalho presencial para o remoto podem causar emoções diferentes do que estamos acostumados. Diante desse novo cenário, Helena Brochado – psicóloga e idealizadora da consultoria Com Propósito – conversou sobre Inteligência Emocional com os nossos colaboradores em mais uma edição online do SoftDrops*.

Helena iniciou sua apresentação falando sobre as emoções. Para a psicóloga, o principal é compreender que no lugar de tentar controlá-las é necessário lidar com elas, uma vez que  existem desde o nascimento em cada um de nós. É por meio das emoções que entendemos as pessoas ao nosso redor e os sentimentos provocados por determinados acontecimentos.

O mundo mudou

Ao citar especificamente o atual momento – desencadeado pela pandemia – a psicóloga ressaltou a importância de encarar a situação como uma transformação social, e não uma crise. Ter essa visão é importante, pois as mudanças geradas por esse novo contexto vão desde a realidade das empresas e o novo formato de trabalho, até um novo conceito de presença. ‘Estar presente’ não significa mais estar em um lugar fisicamente, mas ter o foco e a mente no ‘agora’, no que está sendo vivenciado.

Em relação ao novo modo de trabalho, Helena comentou que há pontos positivos e negativos no momento atual. Por um lado, as pessoas economizam em transporte, ganham mais tempo, mais autonomia e qualidade de vida – já que estão mais em casa. Por outro lado, a tendência é ficar mais disperso, o que pode impactar nas entregas. Além disso, também se altera a forma como os indivíduos se relacionam com a empresa, pois a cultura da organização perde força e o sentimento de coletividade não permanece o mesmo.  É nesse ponto que a comunicação ganha uma importância ainda maior, pois impacta diretamente nas relações e nas emoções.

No home office é natural sentir que se trabalha muito, mas o rendimento é baixo. Essa percepção, segundo a psicóloga, é o cérebro aprendendo um novo conceito e uma nova rotina. A adaptação pode causar ansiedade e a primeira emoção que parte dela é o medo. Na sequência vem a etapa de aprendizado e a situação começa a fazer mais sentido. Por isso, é importante manter os hábitos diários anteriores à pandemia como, por exemplo, trocar de roupa ao acordar e tomar café antes de começar o expediente, criando uma zona de conforto, de familiaridade. Ainda, é essencial desenvolver a capacidade de compreender emoções para trabalhá-las, entendendo que isso tudo é um processo.

O que é inteligência emocional?

A partir do conceito definido por John Mayer, Peter Salovey e David Caruso, Helena definiu que Inteligência Emocional é “a capacidade de perceber, avaliar e de expressar emoções. É a habilidade de lidar com as emoções para promover o crescimento emocional e intelectual”. É esse tipo de inteligência que permite que os indivíduos façam escolhas assertivas. Sem ela, perdemos a capacidade da presença, que falamos anteriormente.

Ao se ter consciência das emoções primárias – alegria, tristeza, raiva, medo, aversão e surpresa – e o que elas demandam, é possível aprender a lidar com elas. É preciso ter em mente que nenhuma emoção é ruim, elas são necessárias para lidar com determinadas situações  e manter a saúde mental. Quando um evento transformador acontece, como uma pandemia mundial, entramos em um ciclo. A partir do acontecimento uma emoção é desencadeada e um sentimento (um pensamento) é desenvolvido. Em seguida, o comportamento diante dessas situações é o que resulta em uma ação.

Técnica C.I.A.

Aceitar essa nova realidade não é um processo fácil. Helena compartilhou algumas informações sobre o método C.I.A., como uma possível forma de lidar com mudanças. Criada por Janet Feldman, a técnica consiste em tomar consciência do que podemos controlar – como um conteúdo que acessamos online; influenciar – através do diálogo e da comunicação; ou aceitar – que as mudanças são inevitáveis, por exemplo. No caso da pandemia, essas etapas auxiliam no processo de racionalização, permitindo enxergar que situações estão dentro do nosso escopo e quais não, deixando tudo mais leve e eliminando a culpa sobre tudo aquilo que não depende de nós.

Felicidade nas pequenas coisas

Segundo a psicóloga, a autora Sonja Lyubomirsky expõe que a felicidade é resultado 50%  da genética, 10% das circunstâncias e 40% por ações intencionais. Mas, afinal, o que é uma ação intencional? É a escolha de como você vai viver o seu dia a dia.

Helena concluiu sua apresentação salientando que a felicidade não está só na realização profissional, por exemplo. Investir nas relações sociais – mesmo que online nesse momento – perdoar o outro, viver o presente, não julgar o próximo, ajudar alguém que precisa do seu apoio, comprometer-se com os seus objetivos e cuidar do corpo e da alma são  algumas maneiras para se ter momentos felizes. Coisas boas podem resultar, inclusive das pequenas ações no seu dia. Uma dica é anotar essas realizações no celular ou em um caderno, por exemplo, para lhe ajudar a ser grato e a reconhecer o que lhe faz bem.

*O SoftDrops é um evento de troca de conhecimento que acontece todas as quartas-feiras, na sede da SoftDesign. A cada semana, um colaborador se predispõe a expor para os colegas algum tema de seu interesse, que tenha relação com os três pilares do nosso negócio: design, agilidade e tecnologia. A minipalestra dura em torno de trinta minutos e é seguida por um bate-papo entre os participantes.

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