- Desenvolvimento de Software
Entre os assuntos abordados com frequência neste blog, estão as diferenças entre o Método Ágil e o Método Tradicional (Waterfall) de desenvolvimento de software; e os benefícios do primeiro em relação ao segundo. Hoje, continuaremos a falar desse tema, mas abordaremos especificamente um dos itens mais importantes na construção de produtos digitais: o escopo. Projetos de qualquer natureza sempre envolvem três principais restrições, conhecidas como o Triângulo de Ferro do Gerenciamento de Projetos: custo, tempo e escopo. Custo refere-se ao quanto será investido para realização do projeto em itens como recursos, aquisições e até riscos; tempo diz respeito ao prazo para que o mesmo seja entregue; e escopo explicita o que estará contido no trabalho, é a definição da ‘fronteira’ entre o que será feito e o que não será feito. Tais restrições estão presentes tanto em projetos de escopo fechado, quanto de escopo aberto; mas são trabalhadas de forma diferente em cada um deles. No desenvolvimento de software, é comum ouvirmos que projetos tradicionais são de escopo fechado, e projetos ágeis são de escopo aberto.
É preciso entender que para definir custo, tempo e escopo são realizadas estimativas. Como essas não são exatas, não é possível fixar as três variáveis do Triângulo. Por exemplo: digamos que você sai de casa para um passeio de bicicleta. No seu escopo está um passeio de 10km e o tempo que você estimou é de 30 minutos. Qual dessas variáveis você vai fixar e qual você vai flexibilizar? Depende da sua necessidade!
Portanto, quando falamos de projetos de escopo fechado, estamos nos referindo ao cenário em que o projeto tem como fixo o escopo, e assim tempo e custo podem sofrer variação. Em projetos de escopo aberto, o processo é o inverso: tempo e custo são fixos e é o escopo que pode sofrer variações. Vamos entender melhor?

Fonte: Palestra Leandro Faria
Quando a variável fixa é o escopo, a primeira questão que se impõe é a necessidade de detalhar o escopo que queremos fixar. Por isso, projetos de escopo fechado geralmente envolvem uma longa etapa de planejamento. Esse planejamento muito detalhado normalmente gera uma sensação de segurança, previsibilidade e controle. Porém, é importante lembrar que essa segurança só é real em situações nas quais o escopo definido é estável – o que pode acontecer em algumas áreas como engenharia civil, mas não costuma acontecer no universo do software. Em projetos de escopo fechado, também é comum que a participação do cliente ou do usuário da solução esteja concentrada no início e no final do projeto, sem que seja necessário um acompanhamento frequente: afinal, tudo o que será desenvolvido no meio já está definido. Isso pode ser visto como uma vantagem em ambientes nos quais todo o conhecimento sobre o que precisa ser feito já é maduro e estável, mas em projetos que envolvem o desenvolvimento de novos conhecimentos, esse tipo de abordagem é fonte de insucesso, visto que não considera a necessidade de interação e de feedback. Pense comigo: quantas vezes, ao começar um projeto de qualquer natureza, você sabia exatamente tudo o que precisava ser feito durante a execução? Quantas vezes você ou alguém do seu time mudou de ideia ao analisar novas perspectivas?
Em primeiro lugar, existe um conjunto de problemas relacionados a definição do escopo em si. O processo de escopo fechado é, na verdade, bastante ingênuo e também injusto com os usuários e stakeholders, pois requer que esses definam todos os requisitos no início do projeto. Oras, como saber de fato como as funcionalidades irão atuar antes mesmo de experimentá-las? Os problemas com a definição do escopo incluem:
Em segundo lugar, existe um conjunto de problemas relacionados com a falsa sensação de segurança criada por estimativas detalhadas. Estimar significa analisar a probabilidade baseando-se em informações disponíveis. No caso de projetos de escopo fechado, isso acontece somente na etapa de planejamento: tempo e custo são calculados em razão do esforço de implementação do escopo. Os problemas com as estimativas incluem:
Projetos de escopo aberto, por sua vez, têm tempo (e recursos) fixados, o que torna possível definir seu orçamento; mas o escopo é variável. Dessa forma, o objetivo é entregar o produto mais prioritário, no menor tempo e com a maior qualidade possível. Na prática, ao invés de somente uma etapa de planejamento, no escopo aberto existem ciclos de trabalho que passam por inspeção e adaptação. Entregas são feitas a cada Sprint (duas semanas) ou a cada item completo (o que pode gerar uma cadência diária, por exemplo). Desta forma, é possível reajustar o escopo com frequência, dentro do tempo e custo fixados. Ainda, com o cliente acompanhando o trabalho de perto e usuários testando o produto, as mudanças tornam-se uma realidade mais ágil e menos burocrática. Veja: a cada duas semanas, com os itens entregues em mãos, é possível analisar o produto e obter novos insights, que poderão ser incluídos na próxima Sprint.
O principal objetivo da agilidade é eliminar desperdício e focar em entregas orientadas por valor (Value Driven Delivery). Ou seja, em cada planning considera-se o valor que aquela parte do escopo tem para o negócio, e essa análise é a base da priorização de itens. Como resultado, surgem as seguintes vantagens:
Apesar dos benefícios, projetos de escopo aberto sofrem resistência em médias e grandes empresas que temem perder o controle sobre o trabalho. Há uma crença de que projetos ágeis não possuiriam uma gestão adequada e representariam maiores riscos para o cliente. No livro Gerenciamento Ágil de Projetos, Jim Highsmith discorre sobre essa mudança de paradigma nos métodos de gerenciamento. Ele explica porque, na economia do conhecimento, projetos tradicionais falham na obtenção de resultados: eles limitam produtos. Isso representa desvantagem em um mercado competitivo e inovador, e pode custar a sobrevivência de qualquer negócio. Ainda, em projetos de escopo fechado o cliente paga por atividades que não agregam valor ao negócio – já que todas foram planejadas inicialmente e ‘devem’ ser entregues, mesmo que não tenham mais sentido. É uma mudança de mentalidade: ao invés de medir o sucesso pela lista de entregáveis, o sucesso passa a ser medido pelo impacto causado pelo produto.
Na SoftDesign, o nosso método de desenvolvimento é ágil e, portanto, envolve o escopo aberto. Nossos contratos priorizam confiança e colaboração e nossos times multidisciplinares estão prontos para construir com qualidade o seu produto digital. Entre em contato conosco para conversarmos sobre escopo, custo e tempo; e encontrarmos a melhor forma para colocar o seu projeto em prática.
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