Empatia como habilidade técnica

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Desenvolvimento de Pessoas
por em 22 de abril de 2020

Na última quarta-feira, 27, Iris Ferreira compartilhou, em mais uma edição online do SoftDrops*, dicas de como trabalhar a Empatia como Habilidade Técnica. Ela comentou que, no ambiente de trabalho, a empatia é um constante aprendizado sobre como lidar com colegas, clientes e situações nas quais não nos sentimos confortáveis. Além disso, a empatia pode auxiliar na resolução de conflitos ou situações em que há dificuldade de comunicação.

Ao iniciar a sua apresentação, a Product Owner (PO) esclareceu dois tipos de empatia. O primeiro deles é a emocional, que existe quando outras pessoas estão conectadas conosco de alguma forma, ou que já temos alguma afinidade, como nossa família e nossos amigos. Já o segundo tipo é a empatia cognitiva, que utilizamos para compreender como outra pessoa enxerga o mundo e como ela se expressa, especialmente quando não temos conexão afetiva ou emocional com ela. É essa última que é apresentada como uma habilidade técnica que pode ser desenvolvida.

Mesmo falando do desenvolvimento dessa habilidade na esfera profissional, podemos levar essas dicas para as situações pessoais, melhorando assim as relações em todos os aspectos de nossa vida.

Interpretar é diferente de observar

Iris enfatizou que não julgar é essencial para desenvolver a empatia. Interpretar o outro pode estabelecer pré-conceitos, comprometendo a nossa capacidade de compreender o que a pessoa está, de fato, comunicando. Nesse sentido, é fundamental apenas observar e absorver o que o outro está falando. Isso pode ser realizado buscando um ponto em comum com a outra parte, como por exemplo: se estamos conversando com o cliente, podemos lembrar que, embora os pensamentos sejam diferentes, as duas partes desejam o mesmo resultado. Um produto ou um serviço que atenda todas as requisições e necessidades do contratante. Já com o time, podemos pensar que todos têm o mesmo propósito, que é entregar um projeto de qualidade.

Escuta ativa

A PO comentou a relevância da escuta ativa, principalmente ao se relacionar com o cliente. É através dela que compreendemos as demandas que precisam ser atendidas. Aqui, é importante lembrar que as duas partes se encontram em contexto de trabalhos diferentes, o que pode causar ruídos na comunicação. Por exemplo: se uma empresa necessita de um determinado produto, ela possui o conhecimento do negócio, enquanto o time que está desenvolvendo sua solução tem a competência técnica. Nessa troca de conhecimento, resultados mais ricos e assertivos podem surgir, ao somar as duas expertises, agregando valor ao produto final. Nessas conversas, vale  questionar novamente caso exista ainda alguma dúvida e correlacionar o que está sendo dito com situações que já vivenciamos.

Acolher as diferenças em um ambiente colaborativo

Na rotina de trabalho, passamos muito tempo com nossos colegas. Nessa situação, diversos perfis estão em um único lugar, o que pode gerar conflitos. Iris falou da importância de acolher as diferenças nesse ambiente. Em times que utilizam a metodologia ágil, as reuniões de feedback podem ser espaços para desenvolver a escuta ativa, por exemplo, criando um ambiente seguro para cada um dar a sua opinião, sem julgamentos. Essa ação promove uma atmosfera colaborativa, uma premissa da agilidade. De outro modo, a competitividade poderia comprometer a entrega do trabalho. Assim, o time deve trabalhar pelo mesmo propósito, utilizando suas diferenças para colocar o que de melhor que cada um tem no trabalho que estão desenvolvendo.

Compartilhar conhecimento

Para concluir o SoftDrops, Iris citou algumas referências que foram fundamentais para que ela desenvolvesse a empatia como habilidade técnica. São elas:

Indi Young engenheira de software, que migrou sua carreira para o Design de Interação. Palestrante, escritora sobre estratégia de software inclusivos. Esclarece como lidamos com o outro;

Marshall Rosenberg – psicólogo, escreve sobre comunicação não-violenta. Fala sobre a melhor a forma de se comunicar, a partir de ajustes na nossa rotina;

Brené Brow pesquisadora sobre a vulnerabilidade e a importância desses momentos, que nos trazem muitas mudanças.

*O SoftDrops é um evento de troca de conhecimento que acontece todas as quartas-feiras, na sede da SoftDesign. A cada semana, um colaborador se predispõe a expor para os colegas algum tema de seu interesse, que tenha relação com os três pilares do nosso negócio: design, agilidade e tecnologia. A minipalestra dura em torno de trinta minutos e é seguida por um bate-papo entre os participantes.