Como evitar a procrastinação no home office

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Desenvolvimento de Pessoas
por em 4 de agosto de 2020

Desde março deste ano, em função da COVID-19, estamos descobrindo novas formas de agir em situações que, até então, eram desconhecidas. Para os nossos colaboradores, não foi diferente. A reconfiguração do formato de trabalho e o cenário instável da pandemia trouxeram impactos diários, inclusive em relação à produtividade.

Pensando nisso, convidamos a coach e mentora Magda Targa para falar, no SoftDrops*, sobre procrastinação. A ideia de discutir esse tema surgiu a partir de uma pesquisa interna realizada, que tinha como objetivo descobrir os principais obstáculos enfrentados pelos colaboradores na transição do trabalho in loco (na empresa) para o home office.

A coach iniciou sua palestra salientando que a procrastinação deve ser compreendida como um efeito e não como uma causa. Ela também comentou a importância de fazer distinções entre procrastinação, desorganização e  ausência de planejamento. Identificar essas diferenças colabora com o processo de mudança e melhora os resultados das nossas ações. Quando essa leitura é equivocada, corre-se o risco de tomar atitudes não adequadas para resolver a questão.

Procrastinar é uma consequência

O ato de procrastinar tem origem no processo de tomada de decisão, no que será priorizado a curto ou a longo prazo. Segundo Magda, carregamos traços de nossos ancestrais, que aprenderam a dar mais valor para o imediato (para a sobrevivência), pois não tinham em mente que viveriam muitos anos. Hoje, somos desafiados a abrir mão de um prazer ou de uma recompensa em um curto período para usufruir algo maior a longo prazo. Por exemplo: pode ser difícil materializar que você está economizando para uma viagem que acontecerá em dois anos, renunciando no  presente de fazer algumas atividades que gosta.

Essas decisões são afetadas pelas nossas emoções. Porém, os indivíduos não estão acostumados a interpretar e nomear esses sentimentos. Já o nosso corpo, por exemplo, reconhece quando estamos com fome ou sede, nos permitindo realizar uma ação para saciar alguma necessidade. Desenvolver essa mesma habilidade para ler os sinais emocionais corretamente, pode ser uma forma de fornecer uma ação adequada para o que estamos sentindo.

A coach estimulou os participantes a observar a origem da procrastinação e trabalhar esse ponto, possibilitando lidar com a raiz da questão. Por exemplo, se ela estiver associada a algum medo, é importante reconhecer o que o está causando e o que pode ser feito para aplacar esse temor. Magda sugeriu identificar o ponto de partida do desconforto e, a partir dele, promover mudanças de comportamento que poderão afetar – por consequência – o resultado, ou seja, a procrastinação . Ela também indicou o livro Rápido e Devagar: Duas formas de pensar, de Daniel Kahneman, para auxiliar na compreensão do processo de tomada de decisão.

A procrastinação durante a pandemia

A pandemia de coronavírus – que já se prolonga há quatro meses no Brasil – surgiu de forma abrupta e exigiu muitas mudanças. A partir disso, é necessário observar como essas alterações promovem a procrastinação. Fazer ajustes no comportamento possibilita um efeito cascata que irá resultar em uma ação positiva, tornando essa evolução constante.

A coach ainda refletiu sobre como a procrastinação pode ser positiva em determinadas situações, ressaltando que “o que tem cara de problema, se torna mais atrativo e desafiador para ser solucionado”. Retardar uma tarefa e a executar sob pressão, pode promover  uma descarga de adrenalina, motivando as entregas. Criar mecanismos de recompensas, por exemplo, são recomendados nesses casos para aplacar a procrastinação.

A organização e como lidar com a procrastinação

Trabalhar em home office durante a quarentena requer habilidade do profissional para se ajustar a esse novo momento. A compreensão da organização nas adaptações em casa também é essencial. O diálogo é fundamental nessa nova realidade. Tendo isso em vista, Magda pontuou a importância de firmar um acordo entre as partes, encontrando um meio termo adequado e bom para ambas. Ela também indicou uma fonte de apoio para refletir sobre esses acordos e compromissos nas relações interpessoais, o livro Conversas Difíceis de Sheila Heen.

Além disso, a coach reforçou a importância de separar culpa de responsabilidade, especialmente em tempos de isolamento social. No trabalho remoto, cada pessoa está se adaptando de uma maneira diferente. A responsabilidade faz parte do escopo das atribuições de cada um. Porém, se algo ocorreu que impediu a sua entrega, não deve – necessariamente – haver culpa.  Ela só existirá quando a ação, seja ela intencional ou intuitiva, promover um resultado adverso. Imprevistos podem surgir em decorrência do que estamos vivendo neste momento.

Nessas circunstâncias, é necessário ter carinho e levar em consideração as particularidades dessa nova realidade e de cada indivíduo. Magda concluiu destacando que é preciso tentar olhar o copo meio cheio e celebrar as entregas feitas e trabalhos concluídos em uma época tão adversa.

*O SoftDrops é um evento de troca de conhecimento que acontece todas as quartas-feiras, na sede da SoftDesign. A cada semana, um colaborador se predispõe a expor para os colegas algum tema de seu interesse, que tenha relação com os três pilares do nosso negócio: design, agilidade e tecnologia. A minipalestra dura em torno de trinta minutos e é seguida por um bate-papo entre os participantes.

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