Chegou o PIX: você já conhece a novidade?

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Inovação
por em 19 de novembro de 2020

Nos últimos meses, surgiram muitas notícias sobre a chegada do PIX, meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil (Bacen). Lançado oficialmente no dia 05 de outubro de 2020, ele passou a funcionar integralmente nesse mês de novembro.

Países como China e Estados Unidos já utilizam ferramentas similares para realizar transações financeiras. Aqui no Brasil, o Bacen começou a pensar na modernização do sistema de pagamentos e a discutir possíveis mudanças com as instituições financeiras em 2018. Com  pouco tempo para implementação, o PIX foi apresentado em 2019 e as áreas de tecnologia dos bancos precisaram se ajustar rapidamente para desenvolver a novidade.

Pensando nisso, convidamos dois Product Owners (POs) da área financeira para discutir sobre o PIX com os nossos colaboradores. Bruno Bassani e Luiz Magalhães, participaram ativamente desse processo de desenvolvimento na instituição em que atuam e falaram um pouco sobre as suas experiências em uma edição do SoftDrops*.

Afinal, o que é o PIX?

O PIX é uma plataforma que opera em paralelo ao Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB). No SPB ocorrem as movimentações que já estamos habituados, como transferências por TED ou DOC e até mesmo a utilização do cartão de crédito. Nesse sistema, existem algumas limitações como efetivar as operações apenas em dias úteis e em determinados horários.

Já o Sistema de Pagamento Instantâneo (SPI), do qual o PIX faz parte, realiza pagamentos em tempo real, 24 horas por dia nos 7 dias da semana. Ou seja, ele é uma forma de pagamento eletrônico, que busca ser uma alternativa mais eficaz e moderna às opções atualmente oferecidas. De acordo com Luiz e Bruno, a ideia não é substituir o que já existe, mas oferecer em breve todos esses serviços em uma única plataforma moderna. Isso ocorre pois, diferentemente do SBP – que opera em fila -, o SPI usa 100% API, contando com uma linguagem e arquitetura novas, sendo mais inovador e eficaz.

Um dos desafios da criação dessa ferramenta é a manutenção das transações em dinheiro. Atualmente no Brasil, grande parte dos pagamentos abaixo de R$ 100,00 ocorrem em papel-moeda. Com essa novidade, essa operação se tornaria mais simples e segura.

Benefícios do pagamento instantâneo

Durante a apresentação, tanto Bruno quanto Luiz falaram sobre as vantagens para os usuários finais e para as instituições financeiras. Além das transações acontecerem todos os dias da semana como falamos anteriormente, os POs ainda comentaram que essas transferências não serão tarifadas para pessoas físicas. O custo das transações será arcado por pessoas jurídicas e por um valor mais barato, se comparado com as opções disponíveis atualmente. Outra vantagem é que os pagamentos serão realizados por meio de QR Codes, reduzindo o gasto com máquinas de cartões, por exemplo.

A facilidade dessa novidade fica por conta da plataforma DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais). Ela cria chaves únicas como CPF, e-mail e outros, tornando todo o processo mais simples. Por exemplo, ao fazer uma transferência você não precisará mais dar o seu nome completo, CPF, banco, agência e conta corrente. Basta  fornecer a chave registrada na sua instituição financeira. Além disso, as transações poderão ser realizadas entre pessoas físicas, jurídicas e até mesmo organizações governamentais.

O papel da instituição financeira

Por atuarem em uma instituição financeira, os POs ainda falaram sobre os modelos de negócio que os bancos poderão atuar com a chegada do PIX. Uma delas é oferecer essa solução para correntistas no aplicativo da instituição, por exemplo.

Outra forma é por meio do modelo de Bank as a Service (BaaS) para parceiros. Nesse caso, o papel do banco é realizar a conexão ininterrupta com o Bacen, garantido a performance end-to-end em até 15 segundos.

A chegada desse novo serviço pode trazer impactos para diversos setores. Bruno e Luiz comentaram que em breve o PIX poderá ser utilizado para parcelar pagamentos ou até mesmo realizar saques em terminais ou na boca do caixa de lojas e no varejo em geral.

A experiência do usuário

Para finalizar a apresentação, os POs comentaram que uma das preocupações para o lançamento do PIX foi a padronização do serviço. Manuais de requisitos mínimos e obrigatoriedades foram criados pelo Bacen para que as pessoas tenham a facilidade de ter uma experiência similar, independente do banco ou da instituição financeira, utilizando o produto da mesma forma em qualquer lugar.

Por exemplo, é obrigatório que na página inicial dos aplicativos apareça o ícone do PIX, onde será oferecido todos os serviços disponíveis. A tela com informações com o QR Code e o extrato das transações feitas com as chaves também deverão ser disponibilizadas nessa tela. Ou seja, quem utilizar as chaves cadastradas terá um extrato específico do PIX e outro geral, com informação de todas as movimentações da conta. Dessa forma, caso você utilize mais de um banco ou troque de instituição financeira, poderá utilizar esse recurso sem grandes dificuldades, explorando toda a facilidade que ela oferece.

*O SoftDrops é um evento de troca de conhecimento que acontece todas as quartas-feiras, na SoftDesign. A cada semana, um colaborador se predispõe a expor para os colegas algum tema de seu interesse, que tenha relação com os três pilares do nosso negócio: design, agilidade e tecnologia. A minipalestra dura em torno de trinta minutos e é seguida por um bate-papo entre os participantes.

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