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SoftDesign no Fórum de TI Banrisul – Parte 2

Bruna Leite
por Bruna em 02/07/2019

Para encerrar o segundo dia do evento Fórum de TI Banrisul, que ocorreu em 23 de maio, o roboticista brasileiro Gil Giardelli foi convidado a falar sobre suas descobertas em Inteligência Artificial, fruto da sua trajetória como professor e pesquisador das instituições World Future Society, Stanford University, MIT, World Futures Studies Federation, Imperial College UK e Hong Kong University.

Se você quiser saber como foram as palestras de Fabiano Droguetti, Nori Lermen, Daniel Arraes, Eduardo Xavier, Sebastien Taveau, Ellen Huang e Sajal Mukherjee, clique aqui.

Em menos de uma hora e meia, Giardelli fez um panorama do que está surgindo ao redor do planeta em termos de Inteligência Artificial. Ele iniciou sua palestra falando sobre os sinais que podemos observar no presente que concretizam previsões de futuro: o fechamento da última mina de carvão da Alemanha e a abertura de uma das maiores fazendas do mundo de energia eólica na Argentina – o que também simboliza o fim efetivo da 1ª Revolução Industrial. Enquanto isso, algodão e cana-de-açúcar crescem no lado escuro da lua; objetos são encolhidos ao milionésimo de tamanho; pesquisas fazem um rato tetraplégico voltar a andar após implante celular; e o coração humano é criado em uma impressora 3D. “O mundo atual é mais emocionante que ficção científica”, comenta Giardelli.

O pesquisador explica que estamos vivendo o fim dos tempos VUCA (mundo volátil, incerto, completo e ambíguo) e começando a viver o que os pesquisadores chamam de tempo ‘pós-normal’, que chega carregado de contradições, complexidade e caos. É o caminho para uma nova era, que será repleta de colaboração, conectividade (que não tem a ver somente com o digital, mas também com a conexão entre as pessoas) e cocriação.

Uma nova economia

Com essa transformação ocorrendo, somente o PIB e a renda per capita não serão suficientes para medir o novo índice de desenvolvimento das nações. Nas palavras de Giardelli, será preciso levar em consideração a base intelectual de um país – aspecto esse em que o Brasil se encontra atrasado: nosso país está na 67º posição do ranking dentre 75 pesquisados nos quesitos de educação de alto impacto e transformação digital. “Se subíssemos para 65º posição, teríamos um incremento de 120 bilhões de dólares na economia“, comenta o roboticista.

No entanto, para que a mudança ocorra, é preciso olhar sob outra perspectiva para a Inteligência Artificial: a nova economia não fará com que as pessoas percam seus empregos, mas sim, exigirá que nos readaptemos, transformando antigas profissões em profissões do futuro, principalmente no que se refere a dados, como por exemplo: advogados especialistas em dados, médicos especialistas em data medicina, etc. Será como mudar de trabalho sem mudar de emprego e, nesse cenário, a cada oportunidade que se fecha, três novas surgem.

IA como estratégia de negócio

Dentre alguns cases citados pelo roboticista da Pluginbot, alguns nos chamaram a atenção: a China pretende substituir as luzes de suas ruas com uma lua artificial até 2020. O mesmo país também inaugurou a maior ponte do mundo com 55km de comprimento, que terá uma pista exclusiva com energia cinética. Visto que a maior parte dos carros do país são elétricos, essa pista fará o automóvel se autoabastecer de energia, e o que restar será compartilhado com a cidade. Tais progressos comprovam o porquê da China estar na 17ª posição no ranking de inovação no mundo e ser um dos principais concorrentes dos Estados Unidos na corrida tecnológica, o que alguns pesquisadores já chamam de ‘Segunda Guerra Fria’.

Quando analisamos a presença das empresas nesse cenário, percebemos que muitas já estão se reinventando. Segundo o roboticista, o conceito de B2B e B2C irá desaparecer, dando lugar ao ‘human to human’. A Shell, por exemplo, já percebeu que o futuro é das energias renováveis e que o combustível fóssil perderá seu espaço. Por isso, a empresa, que se intitula como ‘especialista em humanologia’, criou uma tecnologia no Morro da Mineira (RJ) capaz de transformar a energia da pegada das pessoas em eletricidade.  Já a Nestlé compreendeu que o que ela fornece não são apenas alimentos, mas sim, inteligência nutricional aos consumidores. No Japão, a marca criou um speaker de inteligência artificial que, por meio de comandos de voz, fornece dicas de nutrição e receitas. E a inovação não para por aí: a empresa também criou uma caixa de comida que é enviada para sua casa de acordo com suas características genéticas.

Outras empresas também aderiram à transformação digital, como a Levi’s e a Nutella. A primeira, que ficou 35 anos fora da bolsa de valores, retomou seu crescimento após compreender que não é mais uma empresa fashion e de jeans: ela se tornou uma empresa de tecnologia ao criar jaquetas com nanosensores conectados ao celular. Já a segunda, aderiu aos algoritmos para criar diferentes combinações de estampas utilizando as cores primárias. O resultado: sete milhões de embalagens exclusivas para o principal produto da companhia, o creme de avelã.

Para encerrar sua palestra, Giardelli ainda comentou sobre as principais habilidades que nós precisaremos desenvolver na economia da Inteligência Artificial: transdisciplinaridade, inteligência social, aprendizado rápido, pensamento adaptativo, visão da 3ª revolução digital, colaboração global e virtual, competência cultural cruzada, novas alfabetizações, pensamento em rede e flexibilidade cognitiva.

Giardelli também abordou outros aspectos sobre a economia da Inteligência Artificial. Para assistir a palestra na íntegra, clique aqui.

*Foto: Creative Commons / Activedia